Fístula Urinária Pós-Histerectomia: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 42 anos, submeteu-se a histerectomia total abdominal há 2 semanas por leiomioma uterino. Refere que há 10 dias não consegue segurar a urina, necessitando usar absorventes o tempo todo. Apesar disso, consegue manter desejo miccional e micções normais, cerca de 3 a 4 vezes ao dia. Qual exame subsidiário está mais indicado?

Alternativas

  1. A) estudo urodinâmico
  2. B) uretrocistoscopia
  3. C) tomografia com contraste da pelve
  4. D) urografia excretora

Pérola Clínica

Perda urinária contínua pós-histerectomia → Suspeita de fístula urinária; Urografia excretora para diagnóstico e localização.

Resumo-Chave

A perda urinária contínua e incontrolável após uma histerectomia é altamente sugestiva de uma fístula urinária (vesicovaginal ou ureterovaginal), uma complicação cirúrgica grave. A urografia excretora é o exame de escolha para visualizar o trato urinário e identificar o extravasamento de urina, confirmando a presença e a localização da fístula.

Contexto Educacional

Fístulas urinárias, como a vesicovaginal ou ureterovaginal, são complicações raras, mas graves, de cirurgias pélvicas, especialmente a histerectomia. Elas resultam de lesão inadvertida do trato urinário durante o procedimento, levando à comunicação anormal entre o sistema urinário e a vagina. A apresentação clássica é a perda contínua e incontrolável de urina pela vagina, geralmente alguns dias ou semanas após a cirurgia, como descrito na questão. O diagnóstico de uma fístula urinária é primariamente clínico, baseado na história de perda urinária contínua pós-cirurgia. Para confirmar e localizar a fístula, exames subsidiários são essenciais. A urografia excretora (ou urografia intravenosa) é um exame radiológico que utiliza contraste para visualizar os rins, ureteres e bexiga, sendo altamente eficaz para demonstrar o extravasamento de urina para a vagina e identificar o local da lesão, seja na bexiga ou no ureter. Outros exames, como o teste do corante (azul de metileno na bexiga com tampão vaginal), cistoscopia e tomografia computadorizada, também podem ser úteis, mas a urografia excretora oferece uma visão abrangente do trato urinário superior e inferior. O estudo urodinâmico, por sua vez, é indicado para avaliar a função vesical em casos de incontinência de esforço ou urgência, mas não para a perda contínua característica de uma fístula. O tratamento das fístulas urinárias é geralmente cirúrgico, visando o fechamento da comunicação anormal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de uma fístula urinária pós-histerectomia?

O sintoma mais característico é a perda contínua e incontrolável de urina pela vagina, que ocorre geralmente alguns dias ou semanas após a cirurgia, levando à necessidade constante de uso de absorventes.

Qual a diferença entre fístula vesicovaginal e ureterovaginal?

A fístula vesicovaginal é uma comunicação anormal entre a bexiga e a vagina, enquanto a fístula ureterovaginal é uma comunicação entre o ureter e a vagina. Ambas causam perda urinária contínua, mas a localização da lesão é diferente.

Por que a urografia excretora é o exame mais indicado para fístulas urinárias?

A urografia excretora permite a visualização de todo o trato urinário (rins, ureteres e bexiga) com contraste, sendo eficaz para demonstrar o extravasamento de urina para a vagina e identificar o local exato da lesão, seja na bexiga ou no ureter.

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