CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Paciente submetido a traqueostomia há 2 meses evolui com episódios de sangramento vivo pelo orifício da cânula quando desinsufla-se o balonete, qual a principal suspeita?
Sangramento vivo em traqueostomia tardia = Fístula traqueo-inominada até que se prove o contrário.
A fístula traqueo-inominada é uma complicação catastrófica da traqueostomia, ocorrendo geralmente por erosão da artéria inominada pela cânula ou cuff hiperinsuflado.
A fístula traqueo-inominada (FTI) é uma complicação rara, mas com mortalidade superior a 80%. Ocorre tipicamente entre a 1ª e 6ª semana após o procedimento. Fatores de risco incluem traqueostomias baixas (abaixo do 4º anel traqueal), desvio de coluna ou uso de cânulas rígidas. O sangramento ao desinsuflar o cuff é um sinal clássico de que o balonete estava exercendo efeito de tamponamento sobre a lesão arterial. O reconhecimento precoce e a intervenção cirúrgica imediata são as únicas chances de sobrevivência do paciente.
A causa principal é a pressão excessiva da ponta da cânula de traqueostomia ou do balonete (cuff) contra a parede anterior da traqueia, levando à isquemia e erosão que atinge a artéria inominada (tronco braquiocefálico), que cruza a traqueia anteriormente.
Muitas vezes manifesta-se como um 'sangramento sentinela', um episódio autolimitado de hemorragia que precede uma hemorragia maciça e fatal. Qualquer sangramento vivo após 48 horas de traqueostomia deve ser investigado com urgência.
A conduta imediata inclui a hiperinsuflação do cuff para tentar tamponar o sangramento e a compressão digital direta contra o esterno (Manobra de Utley) através do estoma, enquanto se prepara o paciente para cirurgia de emergência.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo