Fístula Perianal: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Um paciente com 54 anos de idade procurou a Unidade Básica de Saúde para atendimento. O homem relatou que, há um ano, apresentou abscesso na região perineal que foi drenado em pronto-socorro. Desde então, apresentou uma ferida próxima ao ânus, que ocasionalmente inflama e apresenta saída de secreção turva, com odor fecaloide. O paciente realizou colonoscopia há 3 anos, a qual não evidenciou lesões no cólon. O exame da região perianal evidenciou orifício cutâneo a 2 cm da borda anal, na região anterior direita do períneo. O toque retal evidenciou próstata com características normais e indução anteriormente à borda anal. Após a compressão local, houve saída de secreção pelo orifício cutâneo. Com base na história clínica e nos dados do exame físico, o diagnóstico e a conduta adequada são

Alternativas

  1. A) abscesso perianal e drenagem cirúrgica.
  2. B) fissura anal aguda e uso de anti-inflamatórios tópicos.
  3. C) fístula perianal e encaminhamento para tratamento cirúrgico eletivo.
  4. D) fissura anal crônica e encaminhamento para tratamento cirúrgico eletivo.

Pérola Clínica

História de abscesso perianal + orifício externo com secreção fecaloide = Fístula perianal → cirurgia eletiva.

Resumo-Chave

A história de abscesso perianal prévio, seguido por uma ferida crônica com saída de secreção turva e odor fecaloide por um orifício cutâneo próximo ao ânus, é altamente sugestiva de fístula perianal. O toque retal pode evidenciar o trajeto. O tratamento definitivo é cirúrgico e eletivo.

Contexto Educacional

A fístula perianal é uma condição comum na proctologia, caracterizada pela formação de um túnel anormal que conecta o canal anal ou reto à pele perianal. Na maioria dos casos, ela surge como uma complicação crônica de um abscesso perianal, que se origina da infecção de uma glândula anal. A história clínica típica envolve um episódio prévio de abscesso perianal, seguido por uma ferida crônica que drena secreção purulenta ou fecaloide, com odor característico. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e no exame físico. A inspeção revela um ou mais orifícios externos na pele perianal, e o toque retal pode identificar o orifício interno ou o trajeto fistuloso. Exames complementares como ultrassonografia endoanal, ressonância magnética pélvica ou fistulografia podem ser úteis para mapear o trajeto da fístula, especialmente em casos complexos, e auxiliar no planejamento cirúrgico. O tratamento da fístula perianal é quase sempre cirúrgico, pois a cicatrização espontânea é rara. O objetivo da cirurgia é erradicar o trajeto fistuloso, preservar a continência anal e prevenir a recorrência. As técnicas cirúrgicas variam de fistulotomia simples a procedimentos mais complexos, dependendo da relação da fístula com os esfíncteres anais. O encaminhamento para tratamento cirúrgico eletivo é a conduta adequada uma vez estabelecido o diagnóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de uma fístula perianal?

Os sintomas clássicos incluem dor e inchaço perianal recorrentes, drenagem persistente ou intermitente de secreção purulenta ou fecaloide por um orifício cutâneo próximo ao ânus, irritação da pele perianal e, por vezes, febre. A história de um abscesso perianal previamente drenado é muito comum.

Qual a relação entre abscesso perianal e fístula perianal?

A fístula perianal é, na maioria dos casos, uma complicação crônica de um abscesso perianal. Após a drenagem de um abscesso, cerca de 30-50% dos pacientes desenvolvem uma fístula, que é um túnel anormal que conecta o canal anal ou reto à pele perianal, por onde a infecção drena.

Qual o tratamento definitivo para a fístula perianal?

O tratamento definitivo para a fístula perianal é cirúrgico. As técnicas variam dependendo da complexidade e localização da fístula, incluindo fistulotomia (abertura do trajeto fistuloso), fistulectomia (excisão do trajeto), uso de seton, ou procedimentos mais complexos para preservar o esfíncter anal. O objetivo é erradicar a fístula e prevenir recorrências, minimizando o risco de incontinência fecal.

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