SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Paciente feminina, 48 anos, queixando-se de pequeno nódulo perianal que surgiu há aproximadamente um ano, precedido por um abscesso, no mesmo local, que drenou espontaneamente. Diz ser indolor, porém elimina secreção serosa, às vezes, com fragmentos de fezes. Paciente procurou serviço especializado, onde foi submetida à retossigmoidoscopia flexível e a exame ultrassonográfico endoanal tridimensional. Os exames evidenciaram fístula perianal interesfinctérica, com orifício interno situado no quadrante anterior direito. O trajeto compromete aproximadamente 80% do complexo esfincteriano. Diante do exposto, qual o tratamento mais adequado?
Fístula perianal complexa com alto envolvimento esfincteriano → técnicas poupadoras de esfíncter (ex: retalho de avanço).
Fístulas perianais complexas, especialmente aquelas com alto comprometimento do esfíncter anal, exigem abordagens cirúrgicas que preservem a função esfincteriana para evitar incontinência. O retalho de avanço mucoso é uma técnica eficaz para fechar o orifício interno e promover a cicatrização do trajeto fistuloso.
A fístula perianal é uma comunicação anormal entre o canal anal ou reto e a pele perianal, geralmente resultante da infecção e drenagem de uma glândula anal. É uma condição comum que pode ser classificada como simples ou complexa, sendo a complexidade determinada por fatores como o envolvimento do esfíncter, a presença de múltiplos trajetos, recorrência ou associação com doenças inflamatórias intestinais. O diagnóstico é primariamente clínico, mas exames complementares como a ultrassonografia endoanal, ressonância magnética pélvica ou fistulografia são essenciais para mapear o trajeto fistuloso e sua relação com o complexo esfincteriano. A classificação de Parks é amplamente utilizada para guiar a abordagem terapêutica. O tratamento é predominantemente cirúrgico. Para fístulas complexas, especialmente aquelas que comprometem uma porção significativa do esfíncter, o objetivo é erradicar a fístula com o menor risco possível de incontinência anal. Técnicas como o retalho de avanço mucoso, ligadura interesfincteriana do trajeto fistuloso (LIFT) ou o uso de sedenho são preferidas em detrimento da fistulectomia, que pode levar a danos esfincterianos irreversíveis.
As fístulas são classificadas pela relação com o complexo esfincteriano (Parks). A classificação (interesfinctérica, transesfinctérica, supraesfinctérica, extraesfinctérica) é crucial para determinar a complexidade e a técnica cirúrgica mais adequada, visando preservar a continência.
Para fístulas complexas, técnicas poupadoras de esfíncter são preferidas, como o retalho de avanço mucoso, LIFT (Ligadura Interesfincteriana do Trajeto Fistuloso), plugs biológicos, cola de fibrina e, em casos selecionados, sedenho.
A fistulectomia envolve a excisão completa do trajeto fistuloso, o que em fístulas com alto comprometimento esfincteriano resultaria na secção de uma porção significativa do esfíncter, levando a um risco elevado de incontinência fecal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo