Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023
Sobre a duodenopancreatectomia, assinale a correta.
Tamanho do ducto pancreático é fator preditor crucial para fístula pós-duodenopancreatectomia.
A fístula pancreática é uma das complicações mais temidas da duodenopancreatectomia. O diâmetro do ducto pancreático é um dos fatores mais importantes, com ductos menores (<3mm) associados a maior risco devido à dificuldade técnica da anastomose e menor fluxo de suco pancreático.
A duodenopancreatectomia, ou cirurgia de Whipple, é um procedimento complexo e de grande porte, realizado principalmente para o tratamento de neoplasias periampulares, como adenocarcinoma de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma distal e tumores de ampola de Vater. Apesar dos avanços técnicos, a morbimortalidade ainda é considerável, sendo a fístula pancreática a complicação mais temida, com taxas que variam de 5% a 30% e que impactam diretamente o tempo de internação e os custos hospitalares. É fundamental que o residente compreenda os fatores preditores para otimizar o manejo pré, intra e pós-operatório. A fisiopatologia da fístula pancreática envolve o extravasamento de suco pancreático rico em enzimas digestivas para a cavidade abdominal, resultando em inflamação local, infecção e, em casos graves, hemorragia e sepse. O tamanho do ducto pancreático e a textura do pâncreas (mole vs. firme) são os preditores mais consistentes. Um ducto pequeno e um pâncreas mole dificultam a anastomose pancreato-jejunal, aumentando o risco de deiscência. O diagnóstico é feito pela dosagem de amilase no líquido de drenagem abdominal, com valores >3x o limite superior normal do soro após o 3º dia pós-operatório. O tratamento da fístula pancreática varia desde o manejo conservador com drenagem e suporte nutricional até reintervenções cirúrgicas em casos de complicações graves. A prevenção é a melhor estratégia, incluindo técnicas cirúrgicas apuradas, uso de octreotide profilático em pacientes selecionados e o reconhecimento precoce dos fatores de risco. A compreensão desses aspectos é crucial para o residente, tanto para a prova de título quanto para a prática clínica, garantindo a segurança e o melhor desfecho para o paciente.
Os principais fatores de risco incluem o tamanho do ducto pancreático (ductos menores aumentam o risco), a textura do pâncreas (pâncreas mole aumenta o risco), o tipo de anastomose pancreática e a experiência do cirurgião. A presença de pancreatite crônica ou ducto dilatado pode diminuir o risco.
Ductos pancreáticos menores (<3mm) são associados a um risco significativamente maior de fístula pancreática. Isso se deve tanto à dificuldade técnica de realizar uma anastomose segura quanto à menor drenagem de suco pancreático, que pode levar à estase e inflamação local.
Não, a preservação do piloro na duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple com preservação do piloro) não está associada a maiores índices de recidiva neoplásica em comparação com a ressecção do piloro, desde que as margens estejam livres. A escolha visa melhorar a qualidade de vida pós-operatória.
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