Fístula Gastroenteroanastomose: Diagnóstico e Conduta

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Na suspeita de fístula da gastroenteroanastomose, para um paciente no 6° dia de pósoperatório - PO de gastrectomia subtotal, com reconstrução em Y de Roux devido a adenocarcinoma de antro gástrico, pode se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A conduta deverá ser necessariamente cirúrgica, independente das condições clínicas do paciente, uma vez que é necessária limpeza da cavidade abdominal.
  2. B) A suspeita de fístula da anastomose deve ser reavaliada de imediato, visto que tal intercorrência ocorre habitualmente, apenas após o 14° dia de PO.
  3. C) Estando o paciente estável hemodinamicamente, o principal exame a ser solicitado, será a tomografia computadorizada de abdome, que fornecerá importantes informações adicionais.
  4. D) O teste com azul de metileno negativo afasta a possibilidade de fístula pós-operatória, sendo necessária investigação de outros mecanismos para os achados clínicos.

Pérola Clínica

Fístula anastomótica pós-gastrectomia: paciente estável → TC abdome para diagnóstico e extensão.

Resumo-Chave

A fístula da gastroenteroanastomose é uma complicação grave da gastrectomia. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a tomografia computadorizada de abdome com contraste oral e/ou venoso é o exame de escolha, pois permite localizar a fístula, avaliar sua extensão, a presença de coleções e guiar a conduta.

Contexto Educacional

A fístula da gastroenteroanastomose é uma das complicações mais temidas e graves após gastrectomias, especialmente em reconstruções como a em Y de Roux para adenocarcinoma gástrico. Sua ocorrência, embora relativamente rara, está associada a alta morbimortalidade, exigindo reconhecimento e manejo rápidos e eficazes. A fisiopatologia envolve a deiscência da linha de sutura anastomótica, permitindo o extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade abdominal, o que pode levar a peritonite, sepse e falência de múltiplos órgãos. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por sinais de sepse ou peritonite no pós-operatório (geralmente entre o 5º e o 7º dia) e confirmado por exames de imagem. A conduta depende crucialmente da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em pacientes estáveis, a tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame padrão-ouro, fornecendo detalhes anatômicos e a extensão do extravasamento, o que orienta a drenagem percutânea e o manejo conservador. Em pacientes instáveis, a reintervenção cirúrgica de emergência é frequentemente necessária para controle da sepse e reparo da fístula. O prognóstico é melhorado com o diagnóstico precoce e a abordagem terapêutica adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma fístula de gastroenteroanastomose?

Os sinais e sintomas incluem dor abdominal, febre, taquicardia, leucocitose, drenagem de conteúdo entérico pelo dreno ou ferida operatória, e sinais de sepse, geralmente surgindo entre o 5º e o 7º dia de pós-operatório.

Por que a tomografia computadorizada é o exame de escolha para fístulas anastomóticas em pacientes estáveis?

A TC de abdome oferece alta sensibilidade para detectar coleções líquidas, extravasamento de contraste, pneumoperitônio e inflamação perianastomótica, fornecendo informações cruciais para a localização e extensão da fístula, orientando a conduta.

Qual a diferença entre o manejo de fístulas em pacientes estáveis e instáveis?

Pacientes instáveis hemodinamicamente com fístula geralmente requerem reintervenção cirúrgica de emergência. Pacientes estáveis podem ser manejados de forma conservadora com drenagem percutânea, suporte nutricional e antibióticos, dependendo da gravidade e do tipo de fístula.

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