Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Mulher de 52 anos, obesa, com quadro de dor abdominal e taquicardia no 2º dia pósoperatório de gastrectomia vertical. Qual hipótese deve ser imediatamente investigada?
Taquicardia mantida no PO de bariátrica = Fístula gástrica até prova em contrário.
A taquicardia é o sinal clínico mais precoce e sensível de complicações graves, como fístulas ou hemorragias, no pós-operatório de cirurgia bariátrica, precedendo sinais clássicos de sepse.
A gastrectomia vertical (Sleeve) tornou-se a técnica bariátrica mais realizada no mundo. Embora segura, a fístula na linha de grampeadura é uma complicação temida, ocorrendo em cerca de 1% a 3% dos casos. A fisiopatologia envolve isquemia tecidual ou falha mecânica dos grampos. O reconhecimento clínico depende da vigilância sobre sinais vitais; a tríade de taquicardia, taquipneia e dor abdominal deve disparar o protocolo de investigação. O manejo varia desde drenagem percutânea e endoscopia (stents) até reoperação, dependendo da estabilidade do paciente e do tempo de diagnóstico.
Em pacientes obesos submetidos a cirurgias abdominais complexas, os sinais clássicos de irritação peritoneal (como defesa abdominal) podem ser mascarados pelo panículo adiposo. A taquicardia persistente (frequentemente > 120 bpm) é muitas vezes a única manifestação precoce de um vazamento de conteúdo gástrico (fístula) para a cavidade abdominal, refletindo uma resposta inflamatória sistêmica inicial antes da instalação de febre ou choque.
Na gastrectomia vertical (Sleeve), o local mais frequente de fístula é o ângulo de His (transição esofagogástrica), na porção superior da linha de grampeadura. Isso ocorre devido à alta pressão intraluminal nessa zona e à vascularização mais delicada. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar peritonite generalizada e sepse grave.
A investigação deve ser imediata. O padrão-ouro para diagnóstico de fístula é a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste oral e venoso, que pode demonstrar extravasamento de contraste ou coleções perigástricas. Em casos de instabilidade hemodinâmica ou forte suspeita clínica com exames inconclusivos, a reintervenção cirúrgica (laparoscopia exploradora) pode ser necessária.
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