SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Considere as lesões do trato gastrointestinal superior por trauma, procedimentos ou por cirurgia acarretando em fístulas e seus tratamentos mais modernos. Assinale a alternativa INCORRETA a respeito desse tema, tomando como base uma fístula de terço médio do esôfago:
TEV = Alta eficácia em fístulas pós-bariátrica/oncológica e junção EG; contraindicada perto de grandes vasos.
A Terapia Endoscópica a Vácuo (TEV) é altamente eficaz para fístulas complexas, incluindo as de junção esofagogástrica e pós-operatórios de grande porte.
As fístulas esofágicas representam um desafio cirúrgico significativo com alta morbimortalidade. Tradicionalmente tratadas com reoperações complexas ou drenagens amplas, o manejo evoluiu para técnicas minimamente invasivas. A TEV revolucionou o tratamento de deiscências de anastomose e perfurações, permitindo o controle da sepse local e o fechamento da fístula sem a necessidade de esofagectomia de resgate. O sucesso depende do diagnóstico precoce, drenagem de coleções e suporte nutricional adequado.
A TEV consiste na colocação de uma esponja de poliuretano conectada a um sistema de sucção contínua (vácuo) no local da perfuração ou dentro da cavidade da fístula esofágica. O vácuo promove o fechamento da ferida através da macrodeformação (aproximação das bordas), microdeformação (estímulo à angiogênese e tecido de granulação), remoção de exsudato e redução da carga bacteriana. É uma técnica dinâmica que requer trocas periódicas da esponja (geralmente a cada 3-5 dias) e tem demonstrado taxas de sucesso superiores a 80-90% em centros especializados.
Os stents metálicos autoexpansíveis totalmente revestidos são preferidos em fístulas menores, lineares e sem grandes cavidades de abscesso associadas, ou quando o paciente não tem condições de realizar trocas frequentes de esponja. O stent atua selando o orifício e permitindo a alimentação oral precoce. No entanto, apresentam riscos de migração e podem não ser eficazes em fístulas largas ou localizadas em áreas de angulação. A escolha entre stent e TEV depende da localização da fístula, do tamanho da cavidade periesofágica e da experiência da equipe.
A principal contraindicação da Terapia Endoscópica a Vácuo é a proximidade imediata da fístula ou da cavidade com grandes vasos sanguíneos (como a aorta), devido ao risco de erosão vascular e hemorragia maciça catastrófica. Também deve ser usada com extrema cautela em fístulas que comunicam diretamente com a árvore traqueobrônquica, pois o vácuo pode interferir na ventilação mecânica ou causar fístulas maiores. A isquemia extensa do tecido circundante também limita a eficácia da técnica, pois o tecido de granulação não se formará adequadamente.
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