Fístula Enterovesical em Crohn: Abordagem Cirúrgica Ideal

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 30 anos com doença de Crohn, e uma fístula enterovesical, é encaminhada para correção cirúrgica. Na cirurgia, existem múltiplas alças de intestino aderidas à bexiga. A dissecção identifica as alças intestinais aferentes e eferentes e o trajeto da fístula. A parede da bexiga é isolada. O que deve ser feito em seguida?

Alternativas

  1. A) Ressecção do trajeto da fístula;
  2. B) Ressecção intestinal e[tensa para remover o intestino doente;
  3. C) Ressecção do trajeto da fístula, uma pequena porção do intestino e um manguito da parede da be[iga;
  4. D) Fechar o abdome e retomar o tratamento médico com anti-inflamatórios e antibióticos.

Pérola Clínica

Fístula enterovesical em Crohn: ressecção intestinal + manguito de bexiga + fechamento primário da bexiga.

Resumo-Chave

Na correção cirúrgica de fístula enterovesical por Doença de Crohn, é essencial ressecar não apenas o trajeto fistuloso, mas também o segmento intestinal doente que originou a fístula e um manguito da parede da bexiga envolvida, para garantir a remoção completa do tecido inflamado e prevenir recorrência.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Uma de suas complicações mais desafiadoras é a formação de fístulas, que são comunicações anormais entre dois órgãos ou entre um órgão e a pele. A fístula enterovesical, uma comunicação entre o intestino e a bexiga, é uma complicação grave que pode levar a infecções urinárias recorrentes, pneumatúria e fecalúria, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente. O tratamento da fístula enterovesical na Doença de Crohn frequentemente requer intervenção cirúrgica, especialmente quando há sintomas persistentes ou falha do tratamento clínico. A cirurgia visa não apenas fechar a fístula, mas também tratar a doença de base que a originou. A abordagem cirúrgica ideal envolve a ressecção do segmento intestinal doente que está fistulizando para a bexiga. Além da ressecção intestinal, é crucial realizar uma cistectomia parcial, removendo um manguito da parede da bexiga no local da fístula. Isso garante a remoção de tecido vesical inflamado e friável, permitindo um fechamento primário da bexiga em tecido saudável, o que minimiza o risco de vazamento pós-operatório e recorrência da fístula. O fechamento do abdome deve ser feito após a verificação da hemostasia e integridade das suturas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da ressecção intestinal na cirurgia de fístula enterovesical por Doença de Crohn?

A ressecção intestinal é crucial porque a fístula geralmente se origina de um segmento intestinal afetado pela Doença de Crohn. A remoção do intestino doente é fundamental para eliminar a fonte da inflamação e infecção, reduzindo o risco de recorrência da fístula e melhorando o controle da doença.

Por que é necessário ressecar um manguito da parede da bexiga na correção de fístula enterovesical?

A ressecção de um manguito da parede da bexiga é necessária porque a inflamação crônica associada à fístula pode comprometer a parede vesical, tornando-a friável e com risco de falha no fechamento primário. A remoção de um pequeno segmento da bexiga assegura margens saudáveis para um fechamento seguro e reduz o risco de vazamento ou recorrência.

Quais são os princípios gerais do tratamento cirúrgico para fístulas complexas na Doença de Crohn?

Os princípios incluem a identificação e ressecção do segmento intestinal doente, a dissecção cuidadosa e fechamento primário dos órgãos envolvidos (como bexiga, vagina, pele), e a drenagem de quaisquer abscessos associados. O objetivo é remover a fonte da fístula, preservar a função dos órgãos e minimizar o risco de recorrência.

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