HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 52 anos de idade, apresenta-se no sétimo dia de pós-operatório de colectomia esquerda, com boa evolução, estável hemodinamicamente, porém, ao exame físico, nota-se drenagem de líquido entérico pelo dreno. Assinale a alternativa correta:
Fístula enterocutânea pós-colectomia com paciente estável → manejo conservador é a primeira linha.
Fístulas enterocutâneas de baixo débito, especialmente em pacientes hemodinamicamente estáveis, frequentemente podem ser manejadas de forma conservadora, com otimização nutricional, controle da sepse e proteção da pele. A reabordagem cirúrgica é reservada para falha do tratamento conservador ou fístulas de alto débito/complicações graves.
A fístula enterocutânea pós-operatória é uma complicação grave, mas relativamente comum, de cirurgias abdominais, especialmente as colorretais. Ela se caracteriza pela comunicação anormal entre o trato gastrointestinal e a pele, resultando em drenagem de conteúdo entérico. O manejo inicial é crucial e foca na estabilização do paciente, controle da sepse, proteção da pele periestomal e otimização nutricional. A maioria das fístulas enterocutâneas, especialmente as de baixo débito (geralmente definidas como < 200-500 mL/dia), tem potencial para fechamento espontâneo com tratamento conservador. Este inclui repouso intestinal (com nutrição parenteral se necessário), controle de eletrólitos e fluidos, uso de análogos da somatostatina (como octreotide) para reduzir o débito, e cuidados rigorosos com a pele para prevenir dermatite e infecção. A drenagem percutânea pode ser uma opção para coleções associadas, mas não para a fístula em si. A reabordagem cirúrgica é reservada para casos de falha do tratamento conservador após um período adequado (geralmente 4-6 semanas), fístulas de alto débito que não respondem ao manejo clínico, sepse não controlada, obstrução intestinal distal, presença de corpo estranho ou doença inflamatória intestinal ativa. É fundamental que o residente compreenda a importância da abordagem conservadora inicial e saiba identificar os critérios para indicação cirúrgica, evitando intervenções precoces desnecessárias que podem aumentar a morbimortalidade.
Fatores favoráveis incluem fístulas de baixo débito (<200-500 mL/dia), ausência de obstrução distal, ausência de corpo estranho, ausência de doença inflamatória intestinal ativa, boa nutrição do paciente e controle da sepse.
A nutrição parenteral é indicada em fístulas de alto débito, quando a nutrição enteral não é possível ou suficiente para manter o estado nutricional do paciente, ou quando se busca 'repouso intestinal' para favorecer o fechamento da fístula.
A reabordagem cirúrgica é indicada para fístulas de alto débito que não fecham espontaneamente, fístulas com sepse não controlada, obstrução distal, presença de corpo estranho, doença inflamatória ativa, ou falha do tratamento conservador após um período adequado.
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