UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026
Mulher de 64 anos, oito meses após hernioplastia incisional com tela de polipropileno em posição retromuscular, apresenta fistula entero-cutânea de alto débito drenando próximo ao sítio da prótese. A tomografia evidencia coleção periprotética com trajeto fistuloso para alça delgada. Já recebeu múltiplos esquemas antibióticos e passou por duas drenagens percutâneas, com recidiva do quadro. Qual a estratégia mais adequada?
Fístula enterocutânea pós-hernioplastia com tela infectada → Retirada da tela + Ressecção intestinal = Reconstrução tardia.
Fístulas enterocutâneas de alto débito associadas a telas cirúrgicas infectadas, especialmente após falha de tratamentos conservadores como antibioticoterapia e drenagens, geralmente exigem a remoção completa da tela e a ressecção do segmento intestinal fistuloso. A reconstrução definitiva da parede abdominal é frequentemente adiada para um segundo momento, após a resolução completa da infecção e inflamação.
A fístula enterocutânea (FEC) é uma complicação grave e desafiadora, especialmente quando associada à presença de uma tela cirúrgica em hernioplastias. A presença de uma prótese, como a tela de polipropileno, pode complicar o manejo da infecção, uma vez que a tela serve como um corpo estranho e um nicho para a colonização bacteriana, dificultando a erradicação da infecção apenas com antibioticoterapia. Em casos de FEC de alto débito com evidência de infecção periprotética e falha de abordagens conservadoras, a estratégia mais adequada e frequentemente necessária é a intervenção cirúrgica radical. Esta envolve a retirada completa da tela infectada, a ressecção do segmento intestinal fistuloso e o fechamento primário do intestino, se possível. A reconstrução definitiva da parede abdominal é, via de regra, postergada para um segundo momento, após a completa resolução do processo infeccioso e inflamatório, permitindo que os tecidos cicatrizem e as condições locais melhorem, minimizando o risco de novas complicações. A decisão de adiar a reconstrução definitiva visa otimizar o ambiente cirúrgico, reduzir a morbidade e melhorar os resultados a longo prazo para o paciente. A persistência da infecção ou a tentativa de reconstrução imediata em um campo contaminado aumentam significativamente o risco de falha do reparo, infecção da nova prótese e recidiva da fístula ou hérnia.
A principal causa é a infecção da tela cirúrgica, que pode levar à erosão intestinal e formação da fístula.
A retirada da tela é indicada quando há infecção persistente da prótese, especialmente em fístulas de alto débito que não respondem a tratamentos conservadores.
A reconstrução é adiada para permitir a resolução completa da infecção e inflamação, otimizando as condições para um reparo definitivo e reduzindo o risco de recidiva.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo