Fístula Enterocutânea Pós-Hernioplastia: Manejo Cirúrgico

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 64 anos, oito meses após hernioplastia incisional com tela de polipropileno em posição retromuscular, apresenta fistula entero-cutânea de alto débito drenando próximo ao sítio da prótese. A tomografia evidencia coleção periprotética com trajeto fistuloso para alça delgada. Já recebeu múltiplos esquemas antibióticos e passou por duas drenagens percutâneas, com recidiva do quadro. Qual a estratégia mais adequada?

Alternativas

  1. A) Realizar desbridamento local com curativo a vácuo, tentando manter a tela no leito e evitando nova cirurgia maior.
  2. B) Indicar nova drenagem percutânea dirigida por imagem, associada a antibioticoterapia de longo prazo como tratamento principal.
  3. C) Proceder à retirada completa da tela, ressecção do segmento intestinal fistuloso e fechamento temporário, com reconstrução definitiva apenas em fase tardia.
  4. D) Optar por antibioticoterapia supressiva de forma contínua, mantendo acompanhamento clínico ambulatorial prolongado.
  5. E) Executar separação de componentes imediatamente, associando colocação de nova tela definitiva no mesmo ato cirúrgico.

Pérola Clínica

Fístula enterocutânea pós-hernioplastia com tela infectada → Retirada da tela + Ressecção intestinal = Reconstrução tardia.

Resumo-Chave

Fístulas enterocutâneas de alto débito associadas a telas cirúrgicas infectadas, especialmente após falha de tratamentos conservadores como antibioticoterapia e drenagens, geralmente exigem a remoção completa da tela e a ressecção do segmento intestinal fistuloso. A reconstrução definitiva da parede abdominal é frequentemente adiada para um segundo momento, após a resolução completa da infecção e inflamação.

Contexto Educacional

A fístula enterocutânea (FEC) é uma complicação grave e desafiadora, especialmente quando associada à presença de uma tela cirúrgica em hernioplastias. A presença de uma prótese, como a tela de polipropileno, pode complicar o manejo da infecção, uma vez que a tela serve como um corpo estranho e um nicho para a colonização bacteriana, dificultando a erradicação da infecção apenas com antibioticoterapia. Em casos de FEC de alto débito com evidência de infecção periprotética e falha de abordagens conservadoras, a estratégia mais adequada e frequentemente necessária é a intervenção cirúrgica radical. Esta envolve a retirada completa da tela infectada, a ressecção do segmento intestinal fistuloso e o fechamento primário do intestino, se possível. A reconstrução definitiva da parede abdominal é, via de regra, postergada para um segundo momento, após a completa resolução do processo infeccioso e inflamatório, permitindo que os tecidos cicatrizem e as condições locais melhorem, minimizando o risco de novas complicações. A decisão de adiar a reconstrução definitiva visa otimizar o ambiente cirúrgico, reduzir a morbidade e melhorar os resultados a longo prazo para o paciente. A persistência da infecção ou a tentativa de reconstrução imediata em um campo contaminado aumentam significativamente o risco de falha do reparo, infecção da nova prótese e recidiva da fístula ou hérnia.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de fístula enterocutânea após hernioplastia com tela?

A principal causa é a infecção da tela cirúrgica, que pode levar à erosão intestinal e formação da fístula.

Quando a retirada da tela cirúrgica é indicada em casos de fístula enterocutânea?

A retirada da tela é indicada quando há infecção persistente da prótese, especialmente em fístulas de alto débito que não respondem a tratamentos conservadores.

Por que a reconstrução da parede abdominal é adiada em casos de fístula enterocutânea complexa?

A reconstrução é adiada para permitir a resolução completa da infecção e inflamação, otimizando as condições para um reparo definitivo e reduzindo o risco de recidiva.

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