PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
A fístula do coto duodenal é uma das complicações mais temidas após gastrectomias para tratamento do câncer gástrico, podendo ocorrer tanto após ressecções subtotais quanto totais. Assinale a alternativa CORRETA em relação à fistula do coto duodenal pós gastrectomia:
Tumor distal com invasão duodenal = ↑ risco de fístula do coto duodenal pós-gastrectomia.
A fístula do coto duodenal é uma complicação grave decorrente de falha técnica no fechamento ou isquemia, sendo tumores distais com acometimento duodenal o principal fator de risco.
A fístula do coto duodenal (FCD) ocorre em cerca de 1% a 5% das gastrectomias, mas carrega uma mortalidade que pode chegar a 20%. A fisiopatologia envolve o aumento da pressão intraluminal na alça aferente ou falha na cicatrização do coto. Clinicamente, manifesta-se com dor abdominal súbita, febre e irritação peritoneal devido ao extravasamento de bile e suco pancreático, que são altamente irritantes ao peritônio. O manejo inicial pode ser conservador em pacientes estáveis com drenagem adequada, incluindo nutrição parenteral total, octreotide e antibioticoterapia. Casos de peritonite difusa exigem reintervenção imediata para controle da fonte e drenagem, evitando-se manobras complexas de reconstrução em tecidos friáveis.
O principal fator de risco é a presença de tumores gástricos distais que infiltram a primeira porção do duodeno, dificultando o grampeamento ou a sutura segura do coto duodenal durante a gastrectomia. Outros fatores incluem desnutrição, anemia e isquemia local.
O diagnóstico é auxiliado pela dosagem de bilirrubina e amilase no líquido drenado pelo dreno abdominal. Níveis significativamente superiores aos plasmáticos confirmam a presença de secreção bileopancreática, caracterizando a fístula.
A tentativa de sutura direta do orifício fistuloso em um ambiente de inflamação intensa e peritonite química apresenta altíssimas taxas de falha (deiscência). O manejo cirúrgico padrão foca na drenagem ampla, exclusão duodenal ou duodenostomia descompressiva.
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