Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2020
Idoso, 68 anos, queixando-se de dor abdominal há 4 dias, mais localizada em fossa ilíaca esquerda, associada à febre, diarreia e queda do estado geral. Queixa-se também de disúria. Nega vômitos. Foi internado para investigação e realizado tomografia abdominal com contraste endovenoso (imagem abaixo). Ao exame físico: regular estado geral, corada, hidratada. Aparelho cardiopulmonar sem alterações. Abdome com ruídos presentes, flácido, doloroso em fossa ilíaca esquerda e hipogástrio, sem sinais de peritonite. Hemograma com leucocitose, função renal normal, e exame de urina com leucocitúria abundante. Assinale a alternativa correta:
Diverticulite + sintomas urinários (disúria, leucocitúria) → suspeitar de fístula colovesical.
A presença de sintomas urinários como disúria e leucocitúria em um paciente com diverticulite aguda, especialmente em homens idosos, deve levantar forte suspeita de fístula colovesical. Esta complicação ocorre quando a inflamação do divertículo erode para a bexiga, permitindo a passagem de conteúdo intestinal para o trato urinário.
A fístula colovesical é a complicação mais comum da diverticulite aguda complicada, ocorrendo quando um divertículo inflamado ou um abscesso pericólico erode para a bexiga. Embora possa ser causada por outras condições como câncer de cólon ou doença de Crohn, a diverticulite é a etiologia predominante. É mais frequente em homens, devido à interposição do útero nas mulheres, que protege a bexiga. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose da parede do divertículo, que adere à bexiga e forma um trajeto fistuloso. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de pneumatúria, fecalúria e infecções do trato urinário recorrentes, além dos sintomas de diverticulite. A tomografia computadorizada é o método de imagem de escolha, revelando ar intraluminal na bexiga ou espessamento da parede vesical. O tratamento da fístula colovesical é primariamente cirúrgico, envolvendo a ressecção do segmento colônico afetado e o fechamento da fístula na bexiga. Em casos agudos, pode-se iniciar com antibioticoterapia para controlar a infecção. A cirurgia pode ser realizada em um ou dois estágios, dependendo da condição do paciente e da extensão da inflamação.
Os sintomas mais comuns de uma fístula colovesical incluem infecções do trato urinário recorrentes, pneumatúria (passagem de ar na urina), fecalúria (passagem de fezes na urina), disúria e dor suprapúbica.
O diagnóstico é frequentemente feito por tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste, que pode mostrar ar na bexiga, espessamento da parede da bexiga adjacente ao cólon inflamado ou a própria fístula. Cistoscopia e colonoscopia também podem ser úteis.
A conduta inicial geralmente envolve antibioticoterapia para controlar a infecção. O tratamento definitivo é cirúrgico, com ressecção do segmento colônico afetado e reparo da bexiga, embora em casos selecionados possa-se tentar o manejo conservador.
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