CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Com relação às fístulas carotidocavernosas, é correto afirmar que:
Fístula Carotidocavernosa Direta (Trauma) = Alto Débito + Proptose Pulsátil + Sopro.
Fístulas diretas traumáticas raramente fecham sozinhas e apresentam sinais clínicos exuberantes devido à comunicação direta de alta pressão entre a carótida e o seio cavernoso.
As fístulas carotidocavernosas representam uma emergência neuro-oftalmológica onde o sangue arterial sob alta pressão invade o sistema venoso de baixa pressão do seio cavernoso e das veias orbitárias. Isso inverte o fluxo venoso, causando congestão orbitária severa. O diagnóstico clínico é sugerido pela proptose pulsátil e pelo sopro, sendo confirmado pela Angiografia Digital, que é o padrão-ouro para mapear a arquitetura da fístula. O reconhecimento precoce é fundamental para prevenir danos permanentes ao nervo óptico e à retina decorrentes da hipertensão venosa e do glaucoma secundário.
A fístula direta (Tipo A de Barrow) é uma comunicação direta entre o tronco da artéria carótida interna e o seio cavernoso, geralmente causada por trauma ou ruptura de aneurisma; caracteriza-se por alto fluxo e sintomas agudos. A fístula indireta ou dural (Tipos B, C e D) ocorre entre ramos meníngeos das artérias carótidas e o seio cavernoso; costuma ter baixo fluxo, início insidioso e pode ocorrer espontaneamente, especialmente em mulheres pós-menopausa.
A tríade clássica inclui proptose pulsátil, quemose (edema conjuntival) com vasos em 'cabeça de medusa' e sopro audível pelo paciente ou pelo examinador na região orbitária. Além disso, pode haver oftalmoplegia (devido à compressão dos nervos cranianos III, IV e VI no seio cavernoso), aumento da pressão intraocular e perda visual por isquemia ou glaucoma secundário.
O tratamento de escolha para fístulas diretas é a intervenção endovascular, visando o fechamento da comunicação com o uso de molas (coils), balões destacáveis ou stents, preservando a patência da artéria carótida interna. Fístulas indiretas de baixo fluxo podem ser observadas, pois algumas fecham espontaneamente ou após manobras de compressão carotídea, mas também podem exigir tratamento endovascular se houver risco visual ou dor intratável.
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