Fístula Broncopleural Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Você é chamado para avaliar uma paciente do sexo feminino, 2 anos de idade internada há 8 dias devido a quadro de pneumonia que necessitou drenagem de tórax. A pediatra solicita a sua avaliação sobre a possibilidade de retirada do dreno. A paciente deu entrada bastante chorosa, dispneica, com história de febre alta e tosse produtiva. Submetida à radiografia de tórax, foi observada condensação em base e terço médio do pulmão esquerdo e efusão pleural de moderado volume, sendo realizada a drenagem fechada de tórax com saída de 300ml de secreção sero-purulenta. Evoluiu com melhora do estado geral, do quadro febril e da leucocitose. Hoje, o paciente se encontra no 7º. dia pós drenagem, com dreno oscilante, com débito desprezível e fuga aérea quando a paciente respira fundo e chora. Todas as radiografias de controle mostravam pequeno pneumotórax “residual”, inclusive a que foi realizada hoje. Sobre o diagnóstico e conduta desta paciente, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Trata-se de empiema pleural resolvido, sendo indicada a retirada da drenagem de tórax.
  2. B) Trata-se de encarceramento pulmonar pós empiema pleural, sendo indicada a toracotomia urgente.
  3. C) Trata-se de formação de pneumatocele pós pneumonia, sendo indicada a retirada do dreno e ultrassonografia de tórax para diagnóstico.
  4. D) A paciente evoluiu com fístula bronco-pleural, sendo indicada a manutenção do dreno e inicialmente tratamento com aspiração contínua.

Pérola Clínica

Fuga aérea persistente + pneumotórax residual pós-drenagem de empiema → Fístula broncopleural. Manter dreno e aspiração contínua.

Resumo-Chave

A persistência de fuga aérea e pneumotórax residual após drenagem de empiema pleural, mesmo com débito mínimo, sugere fortemente uma fístula broncopleural. Nesses casos, a conduta inicial é manter o dreno e instituir aspiração contínua para promover a cicatrização da fístula e reexpansão pulmonar.

Contexto Educacional

O empiema pleural em crianças é uma complicação grave de pneumonia, frequentemente necessitando de drenagem torácica. A evolução para fístula broncopleural, uma comunicação anormal entre a árvore brônquica e o espaço pleural, é uma complicação que exige atenção, especialmente em pacientes pediátricos devido à maior fragilidade pulmonar e imaturidade do sistema respiratório. A identificação precoce é crucial para evitar morbidade prolongada. A fisiopatologia da fístula broncopleural geralmente envolve necrose tecidual e erosão brônquica secundária à infecção ou ao trauma da drenagem. O diagnóstico é suspeitado pela persistência de fuga aérea pelo dreno torácico, mesmo após dias de drenagem e com melhora do quadro infeccioso, e pela presença de pneumotórax residual nas imagens. A avaliação cuidadosa do dreno e das radiografias é fundamental para o reconhecimento desta complicação. O tratamento inicial da fístula broncopleural é conservador, com manutenção do dreno e aspiração contínua para promover o fechamento espontâneo. Em casos refratários, podem ser consideradas outras abordagens como pleurodese química, broncoscopia com oclusão da fístula ou, em último caso, intervenção cirúrgica. O prognóstico geralmente é bom com manejo adequado, mas a demora no diagnóstico e tratamento pode levar a complicações como infecções recorrentes e comprometimento da função pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fístula broncopleural em crianças?

Os principais sinais de alerta incluem fuga aérea persistente pelo dreno torácico, mesmo com débito pleural mínimo, e a presença de pneumotórax residual em radiografias de controle, indicando que o pulmão não está completamente reexpandido.

Qual a conduta inicial para uma fístula broncopleural pós-empiema?

A conduta inicial é manter o dreno torácico no local e instituir aspiração contínua. Isso ajuda a manter o pulmão expandido, aproximar as pleuras e promover o fechamento espontâneo da fístula, além de controlar o espaço pleural.

Como diferenciar fístula broncopleural de encarceramento pulmonar?

A fístula broncopleural se manifesta com fuga aérea persistente, enquanto o encarceramento pulmonar ocorre quando o pulmão não consegue expandir devido a uma casca fibrótica espessa, sem necessariamente haver fuga aérea. A radiografia e a avaliação da drenagem são cruciais para a distinção.

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