Fístula Biliar Pós-Gastrectomia: Manejo Nutricional

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 71 anos de idade, está no quinto pós-operatório de gastrectomia subtotal em Y de Roux por laparotomia mediana devido adenocarcinoma gástrico precoce. Foi introduzida água no terceiro pós-operatório e no momento está com dieta líquida. Hoje, a enfermagem notou que o conteúdo do dreno abdominal, exteriorizado no flanco direito, está bilioso com débito de 100mL. Ao exame físico está em bom estado geral, afebril, FC 90 bpm e PA: 110x70 mmHg; abdome: ferida de bom aspecto, flácido e doloroso à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais: Hb: 10,2 g/dL; leucograma 11.317/mm³ ; PCR: 47 mg/dL (em queda). Trata-se de doente obesa com diabete melito e esteartose hepática. Qual é a melhor via alimentar neste momento?

Alternativas

  1. A) Dieta polimérica por sonda enteral.
  2. B) Dieta oligomérica por sonda enteral.
  3. C) Nutrição parenteral com lipídios.
  4. D) Dieta oral.
  5. E) Nutrição parenteral sem lipídios.

Pérola Clínica

Fístula biliar pós-gastrectomia com baixo débito e paciente estável → manter dieta oral e observação.

Resumo-Chave

Em pacientes com fístula biliar de baixo débito (<200-300 mL/dia), sem sinais de sepse ou peritonite, e com boa tolerância oral, a dieta oral pode ser mantida. A nutrição enteral ou parenteral é reservada para casos de alto débito, instabilidade ou intolerância oral.

Contexto Educacional

A gastrectomia subtotal é um procedimento comum para o tratamento de adenocarcinoma gástrico. Complicações pós-operatórias, como fístulas biliares, podem ocorrer. Uma fístula biliar é o extravasamento de bile para a cavidade abdominal, geralmente detectada por débito bilioso no dreno. O manejo depende do volume do débito e do estado clínico do paciente. No caso apresentado, a paciente está no 5º pós-operatório, com débito bilioso de 100mL (considerado baixo débito), afebril, hemodinamicamente estável e sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais mostram leucograma e PCR discretamente elevados, mas com PCR em queda, indicando uma resposta inflamatória controlada. Diante de uma fístula biliar de baixo débito e paciente estável, a conduta mais adequada é manter a dieta oral, se tolerada. A alimentação oral estimula o trato gastrointestinal e pode favorecer o fechamento espontâneo da fístula. A nutrição enteral ou parenteral é reservada para casos de alto débito, instabilidade clínica, sepse ou intolerância oral, visando garantir o suporte nutricional adequado quando a via oral não é suficiente ou segura.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar uma fístula biliar de baixo débito?

Uma fístula biliar é geralmente considerada de baixo débito quando o volume de drenagem é inferior a 200-300 mL em 24 horas, especialmente se o paciente estiver clinicamente estável e sem sinais de sepse.

Por que a dieta oral pode ser mantida em fístulas biliares de baixo débito?

A dieta oral pode ser mantida para estimular o trânsito intestinal, promover a cicatrização e evitar as complicações associadas à nutrição parenteral, desde que o paciente esteja estável, sem sinais de peritonite e tolerando a via oral.

Quando a nutrição parenteral é indicada em casos de fístula biliar?

A nutrição parenteral é indicada em fístulas biliares de alto débito, quando há intolerância à dieta oral, desnutrição grave, ou sinais de sepse e instabilidade hemodinâmica, onde a via enteral não é viável.

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