Fístula Pós-Gastroplastia: Diagnóstico e Manejo Essencial

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 39 anos de idade, no 6º dia de pós-operatório de gastroplastia por obesidade mórbida (bypass gástrico em Y de Roux), procura atendimento com queixa de dor abdominal difusa há 2 dias, associada a febre aferida de 38ºC e náuseas. Sinais vitais: Pressão Arterial: 110 x 70 mmHg; frequência cardíaca: 105 batimentos /minuto; Temperatura Axilar: 38,2ºC; Saturação de Oxigênio: 95%, em ar ambiente, repouso. Ao exame físico, apresenta-se e REG, corada e hidratada. Abdome doloroso à palpação, sem sinais de peritonite. Dreno abdominal com débito de aspecto seroso. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Não é necessário solicitar nenhum exame complementar; indicar laparotomia exploradora de emergência.
  2. B) Fazer teste com azul de metileno; caso seja negativo, afasta-se a possibilidade de fístula da anastomose.
  3. C) O teste de azul de metileno consiste na aplicação endovenosa deste corante e verificação de presença de extravasamento.
  4. D) A conduta indicada é solicitar tomografia de abdome e pelve, com contraste, por via oral e endovenosa.

Pérola Clínica

Pós-gastroplastia com dor abdominal + febre + taquicardia → suspeitar fístula anastomótica. TC com contraste é o exame de escolha.

Resumo-Chave

Em pacientes pós-gastroplastia, a tríade dor abdominal, febre e taquicardia deve levantar forte suspeita de fístula anastomótica, mesmo sem sinais claros de peritonite. A tomografia computadorizada com contraste oral e endovenoso é o método de imagem preferencial para confirmar o diagnóstico e localizar a fístula.

Contexto Educacional

A fístula anastomótica é uma das complicações mais temidas e graves da cirurgia bariátrica, como o bypass gástrico em Y de Roux, com incidência variando entre 1-5%. Sua detecção precoce é crucial para evitar morbimortalidade significativa, sendo uma das principais causas de reoperação e óbito no pós-operatório. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com dor abdominal desproporcional, taquicardia persistente e febre, mesmo na ausência de sinais clássicos de peritonite. O diagnóstico da fístula anastomótica baseia-se na combinação de achados clínicos e exames complementares. A tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste oral e endovenoso é o método de imagem de escolha, permitindo identificar extravasamento de contraste, coleções líquidas e sinais de inflamação. Outros exames, como o estudo contrastado do trato gastrointestinal superior, também podem ser utilizados. O teste com azul de metileno no dreno pode ser útil, mas um resultado negativo não exclui a fístula. O tratamento da fístula anastomótica varia conforme a gravidade e estabilidade do paciente, podendo incluir manejo conservador com drenagem percutânea e suporte nutricional, ou intervenção cirúrgica para reparo ou derivação. A exclusão pilórica e gastrostomia de descompressão podem ser consideradas em casos selecionados. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da instituição do tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fístula anastomótica após gastroplastia?

Os sinais de alerta incluem dor abdominal persistente ou crescente, febre, taquicardia e, por vezes, hipotensão. A ausência de peritonite franca não exclui o diagnóstico, que pode ser insidioso.

Qual o exame de imagem mais indicado para diagnosticar fístula pós-bariátrica?

A tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste oral e endovenoso é o exame de imagem de escolha, pois permite identificar extravasamento do contraste, coleções líquidas e sinais de inflamação.

Por que o teste com azul de metileno pode ser inadequado para afastar fístula?

O teste com azul de metileno no dreno pode ser útil, mas um resultado negativo não afasta completamente a fístula, especialmente se o extravasamento for mínimo ou contido, exigindo exames mais sensíveis.

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