Fístula Pós-Gastrectomia: Manejo Conservador

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente foi submetido à Gastrectomia total com reconstrução em Y de Roux e linfadenectomia a D2 por neoplasia gástrica, sendo colocado dreno tubulolaminar passando pelo coto duodenal até a anastomose esofagojejunal, e passado SNE.Esse paciente evoluiu no 4º dia do PO com taquicardia e você observa secreção bilioentérica pelo dreno (débito aproximado de 250 ml). Clinicamente, o paciente mantém-se estável e sem sinais de peritonite difusa. Assinale a conduta mais correta para o caso.

Alternativas

  1. A) Por se tratar de fístula duodenal, indica-se abordagem cirúrgica precoce.
  2. B) Antibioticoterapia, correção hidroeletrolítica, dieta parenteral exclusiva.
  3. C) Antibioticoterapia, correção hidroeletrolítica, suporte nutricional vias enteral e parenteral.
  4. D) Por se tratar de fístula biliar, indica-se abordagem cirúrgica precoce.
  5. E) Antibioticoterapia, correção hidroeletrolítica, suporte nutricional via enteral.

Pérola Clínica

Fístula anastomótica pós-gastrectomia total, estável, débito moderado → Manejo conservador: ATB, hidroeletrolítico, nutrição enteral.

Resumo-Chave

Fístulas anastomóticas pós-gastrectomia total são graves, mas se o paciente estiver clinicamente estável, sem sinais de peritonite difusa e com débito moderado, o manejo conservador com antibioticoterapia, correção hidroeletrolítica e suporte nutricional (preferencialmente enteral) é a conduta inicial mais adequada.

Contexto Educacional

As fístulas anastomóticas são complicações graves e potencialmente fatais após grandes cirurgias gastrointestinais, como a gastrectomia total com reconstrução em Y de Roux. A detecção precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico do paciente. A presença de taquicardia e secreção bilioentérica pelo dreno no 4º dia de pós-operatório é altamente sugestiva de fístula. A decisão entre manejo conservador e cirúrgico depende da condição clínica do paciente e das características da fístula. Em pacientes clinicamente estáveis, sem sinais de peritonite difusa ou sepse grave, e com débito moderado da fístula, o tratamento conservador é a conduta inicial preferencial. Este inclui antibioticoterapia para cobrir a flora entérica, correção rigorosa de distúrbios hidroeletrolíticos e suporte nutricional adequado. O suporte nutricional é vital para a cicatrização da fístula e para evitar a desnutrição. A nutrição enteral, se possível e bem tolerada, é preferível à parenteral devido aos seus benefícios na manutenção da integridade da mucosa intestinal e menor risco de complicações. A abordagem cirúrgica é reservada para casos de instabilidade hemodinâmica, sepse incontrolável, peritonite difusa, fístulas de alto débito que não respondem ao tratamento conservador ou obstrução intestinal associada.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de uma fístula anastomótica após gastrectomia?

Os sinais incluem taquicardia, febre, dor abdominal, leucocitose e, em casos de drenagem externa, a presença de secreção entérica ou biliar pelo dreno.

Quando o manejo conservador é indicado para fístulas digestivas?

O manejo conservador é indicado quando o paciente está clinicamente estável, sem sinais de sepse grave ou peritonite difusa, e o débito da fístula é baixo a moderado, permitindo a cicatrização espontânea.

Qual o papel da nutrição no tratamento de fístulas digestivas?

O suporte nutricional é fundamental para promover a cicatrização da fístula e manter o estado nutricional do paciente. A via enteral é preferível se o trânsito permitir e a fístula não for de alto débito, caso contrário, a nutrição parenteral total pode ser necessária.

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