Fístula Pós-Bariátrica: Sinais, Diagnóstico e Manejo Urgente

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher com 23 anos, obesa mórbida, é submetida à cirurgia bariátrica e no sexto dia pós-operatório apresenta taquicardia, febre e Ieucocitose. Refere dor abdominal em epigástrio e em ombro. E nega outras queixas. Qual o principal diagnóstico a ser pesquisado, Ievando-se em consideração o tempo de pós-operatório?

Alternativas

  1. A) Atelectasia pulmonar.
  2. B) Celulite.
  3. C) Fístula da gastroenteroanastomose.
  4. D) Infecção da ferida operatória.
  5. E) Pneumonia na base esquerda

Pérola Clínica

Taquicardia + febre + dor abdominal/ombro no 5º-7º DPO de bariátrica → suspeitar fístula anastomótica.

Resumo-Chave

A fístula anastomótica é a complicação mais grave e temida no pós-operatório precoce da cirurgia bariátrica, geralmente manifestando-se entre o 3º e o 7º dia. Taquicardia persistente, febre, leucocitose e dor abdominal (especialmente com irradiação para o ombro, indicando irritação diafragmática) são sinais de alerta que exigem investigação imediata.

Contexto Educacional

A fístula anastomótica é a complicação mais grave e potencialmente letal da cirurgia bariátrica, com uma incidência que varia de 1% a 5%, dependendo do tipo de procedimento. Ela ocorre quando há vazamento de conteúdo gástrico ou intestinal através da linha de sutura ou grampeamento da anastomose, levando a peritonite e sepse. O período crítico para o desenvolvimento de fístulas é entre o 3º e o 7º dia de pós-operatório. Os sinais e sintomas clássicos incluem taquicardia persistente e inexplicável (muitas vezes o primeiro e mais sensível sinal), febre, leucocitose com desvio à esquerda, dor abdominal intensa (frequentemente em epigástrio) e dor referida no ombro (devido à irritação diafragmática pelo extravasamento). O diagnóstico precoce é fundamental e pode envolver exames de imagem como tomografia computadorizada com contraste oral ou endoscopia digestiva alta. O manejo é complexo e pode incluir drenagem percutânea, tratamento endoscópico (stents, clipes) ou reintervenção cirúrgica, além de suporte intensivo. A alta suspeição clínica é essencial para o residente, pois o atraso no diagnóstico e tratamento está associado a um aumento significativo da morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de uma fístula anastomótica após cirurgia bariátrica?

Taquicardia persistente e inexplicável, febre, leucocitose, dor abdominal intensa (especialmente em epigástrio) e dor referida no ombro são sinais clássicos de fístula anastomótica.

Por que a dor no ombro pode indicar uma fístula anastomótica?

A dor no ombro é uma dor referida causada pela irritação do diafragma pelo extravasamento de conteúdo gástrico/intestinal na cavidade abdominal, estimulando o nervo frênico.

Qual o período de maior risco para o desenvolvimento de fístula anastomótica?

A maioria das fístulas anastomóticas se manifesta entre o 3º e o 7º dia de pós-operatório, sendo crucial a vigilância clínica nesse período.

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