SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 65 anos de idade, realizou quimioterapia neoadjuvante e está no 5º dia de pós-operatório de colectomia direita com anastomose ileocólica para tratamento de adenocarcinoma de cólon. O paciente já estava com dieta de água, chá e gelatina, quando passou a cursar com distensão e dor abdominal. Sem outras queixas. Ao exame físico, bom estado geral, corado, temperatura axilar de 38ºC, FC: 108bpm, PA: 134x78mmHg; abdome levemente distendido, com dor à palpação profunda difusamente, com descompressão brusca negativa; toque retal sem alterações. Diante desse caso clínico:Indique a principal suspeita diagnóstica para este paciente, neste momento.
Febre, taquicardia e dor/distensão abdominal no 5º PO de colectomia com anastomose → suspeitar de fístula anastomótica.
A fístula anastomótica é uma complicação grave da cirurgia colorretal, geralmente manifestando-se entre o 3º e o 7º dia de pós-operatório com sinais de sepse (febre, taquicardia) e dor/distensão abdominal, mesmo com descompressão brusca negativa.
A cirurgia colorretal, embora curativa para muitas neoplasias, não é isenta de complicações. A fístula anastomótica é uma das mais temidas, com alta morbimortalidade. Ela representa a deiscência parcial ou total da linha de sutura da anastomose, permitindo o extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal. A quimioterapia neoadjuvante, como no caso, pode comprometer a cicatrização e aumentar o risco. A fisiopatologia envolve fatores locais (tensão na anastomose, isquemia, infecção) e sistêmicos (desnutrição, imunossupressão). Os sinais e sintomas clássicos surgem entre o 3º e 7º dia de pós-operatório, incluindo febre, taquicardia, dor abdominal, distensão e, em casos graves, sinais de sepse. A ausência de descompressão brusca não exclui a presença de coleção purulenta profunda. O manejo exige alta suspeição clínica. Exames complementares como hemograma (leucocitose), PCR (elevada) e tomografia de abdome com contraste são cruciais para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta. O tratamento pode variar desde drenagem percutânea de coleções localizadas até reintervenção cirúrgica com desvio intestinal ou ressecção da anastomose, dependendo da gravidade e extensão da fístula.
Fatores de risco incluem desnutrição, quimioterapia neoadjuvante, doença inflamatória intestinal, técnica cirúrgica, sangramento intraoperatório e comorbidades como diabetes.
O diagnóstico é baseado na suspeita clínica (febre, dor, taquicardia), exames laboratoriais (leucocitose, PCR elevada) e exames de imagem como tomografia computadorizada com contraste oral e retal.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, antibioticoterapia de amplo espectro, suspensão da dieta oral e, frequentemente, drenagem percutânea ou reintervenção cirúrgica, dependendo da gravidade.
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