IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 38 anos de idade, procurou o pronto atendimento por dor abdominal difusa há um dia. Encontra-se no sexto dia pós-operatório de gastroplastia redutora, com reconstrução em Y de Roux, para tratamento de obesidade grau III. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, frequência cardíaca de 130 bpm, pressão arterial de 82x58 mmHg, tempo de enchimento capilar de 4 segundos. O abdome encontra-se globoso, flácido, com dor à palpação profunda difusamente, mais intensa em epigástrio e hipocôndrio esquerdo. O restante do exame físico está normal. Realizou tomografia de abdome, ilustrada a seguir: Qual é a conduta correta para esta paciente?
Pós-op bariátrica + Taquicardia (>120) + Instabilidade = Reoperação Imediata.
A taquicardia persistente é o sinal precoce mais sensível de fístula ou complicação grave no pós-operatório de bariátrica; a instabilidade hemodinâmica impõe abordagem cirúrgica urgente.
O pós-operatório de cirurgia bariátrica exige vigilância extrema. A anatomia alterada e a obesidade prévia podem mascarar sinais clássicos de peritonite. A regra de ouro é: qualquer desvio da normalidade (especialmente taquicardia inexplicada) deve ser investigado para fístula. No caso apresentado, a paciente está em choque séptico ou obstrutivo. A abordagem cirúrgica (laparoscópica ou aberta) visa identificar a causa (fístula, obstrução por hérnia interna), lavar a cavidade, drenar coleções e, se possível, reparar o defeito ou realizar uma exclusão bipolar.
A taquicardia (frequentemente > 120 bpm) é reconhecida como o sinal clínico mais precoce e sensível de uma fístula anastomótica ou deiscência no pós-operatório de cirurgia bariátrica, muitas vezes precedendo a febre ou a dor abdominal franca.
A paciente apresenta sinais de choque (hipotensão, taquicardia importante, tempo de enchimento capilar prolongado) e dor abdominal no 6º dia de pós-operatório. Esse quadro sugere fortemente uma complicação cirúrgica grave, como uma fístula com peritonia generalizada ou isquemia intestinal. Em pacientes instáveis, a reintervenção cirúrgica não deve ser retardada por exames adicionais se a suspeita clínica for alta.
A tomografia pode mostrar pneumoperitônio extraluminal, coleções líquidas perianastomóticas, extravasamento de contraste oral ou sinais de sofrimento de alça (como em hérnias internas). No entanto, se o paciente estiver instável, a prioridade é a estabilização e a sala de cirurgia.
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