Fístula Cervical Pós-Esofagectomia: Conduta e Diagnóstico

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 56 anos de idade, com diagnóstico de carcinoma espinocelular de esôfago torácico, foi submetido a esofagectomia subtotal com linfadenectomia em três campos e esofagogastroplastia cervical. No intraoperatório, foram realizadas passagem de sonda nasoenteral e drenagem do sítio da anastomose cervical. No quinto dia pós-operatório, o paciente encontra-se em bom estado geral, afebril, estável hemodinamicamente, recebendo dieta enteral, com feridas operatórias em bom aspecto. Observou-se aumento do volume do líquido no coletor do dreno cervical, de aspecto claro e com formação de bolhas, sem abaulamento cervical. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta indicada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Necrose do tubo gástrico, videolaparoscopia e videotoracoscopia.
  2. B) Infecção de sítio cirúrgico, antibioticoterapia de amplo espectro e cervicotomia exploradora.
  3. C) Fístula da anastomose esofagogástrica e manutenção da dieta enteral.
  4. D) Fístula traqueoesofágica, endoscopia digestiva alta e broncoscopia.

Pérola Clínica

Fístula cervical pós-esofagectomia + Estável → Manejo conservador + Manter dieta enteral.

Resumo-Chave

Fístulas cervicais após esofagectomia têm menor morbidade que as torácicas; se o dreno estiver efetivo e o paciente estável, o tratamento é conservador.

Contexto Educacional

A esofagectomia com anastomose cervical é um procedimento complexo para o tratamento do câncer de esôfago. A fístula anastomótica é uma das complicações mais frequentes. O diagnóstico clínico é soberano quando há saída de conteúdo salivar ou ar pelo dreno. Diferente da necrose do tubo gástrico, que exige reoperação de emergência e desmonte da reconstrução, a fístula simples em paciente estável permite a manutenção da via enteral e observação. A presença de bolhas e aspecto claro sugere comunicação aérea ou salivar sem contaminação grosseira ou isquemia extensa.

Perguntas Frequentes

Por que a fístula cervical é menos grave que a torácica?

A fístula cervical ocorre em um espaço anatômico que permite drenagem fácil para o exterior, evitando a mediastinite grave que ocorre nas fístulas intratorácicas. Por isso, a repercussão sistêmica costuma ser muito menor, permitindo um manejo mais conservador.

Qual o sinal clínico clássico de fístula cervical no dreno?

O aparecimento de saliva, líquido claro ou bolhas de ar pelo dreno cervical, especialmente após o início da dieta oral ou enteral, é altamente sugestivo de fístula da anastomose. Se não houver sinais de sepse ou abaulamento (coleção), a drenagem está sendo efetiva.

Como é o manejo conservador da fístula cervical?

Consiste em manter a drenagem local pérvia, suporte nutricional (geralmente via sonda enteral posicionada distalmente à anastomose), cuidados com a ferida e observação clínica. A maioria dessas fístulas cicatriza espontaneamente sem necessidade de intervenção cirúrgica adicional.

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