FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Mulher de 55 anos, branca, professora, natural e procedente de São José do Rio Preto. Refere que há 40 dias está apresentando hematoquezia e dor anal de forte intensidade às evacuações. Refere constipação intestinal crônica e nega anorexia e febre. Relata que o pai teve câncer de reto aos 60 anos de idade.Com base neste caso clínico, assinale a alternativa correta:
Hematoquezia + dor anal intensa + constipação crônica → fissura anal primária; biópsia não rotineira.
A tríade de hematoquezia, dor anal intensa durante e após evacuações, e constipação crônica é altamente sugestiva de fissura anal. Em pacientes sem fatores de risco para fissura secundária (como doenças inflamatórias intestinais, HIV, tuberculose), o diagnóstico é clínico e a biópsia não é rotineiramente indicada. A história familiar de câncer de reto aos 60 anos, embora relevante para rastreamento, não altera a conduta inicial para uma fissura típica.
A fissura anal é uma úlcera linear na pele do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior (90% dos casos) ou, menos frequentemente, na linha média anterior. É uma condição comum, caracterizada por dor anal intensa e sangramento durante e após as evacuações. A etiologia mais comum é o trauma mecânico causado pela passagem de fezes endurecidas, levando a um ciclo vicioso de dor, espasmo do esfíncter anal interno e isquemia local, o que dificulta a cicatrização. O diagnóstico da fissura anal primária é essencialmente clínico, baseado na história de dor anal excruciante associada à defecação e hematoquezia, frequentemente em pacientes com constipação intestinal crônica. O exame físico revela a fissura, que pode ser visível à inspeção ou à eversão das margens anais. A dor intensa pode dificultar o toque retal, que deve ser realizado com cuidado. A biópsia da fissura anal não é recomendada rotineiramente para fissuras primárias. Ela é reservada para casos atípicos, como fissuras laterais, múltiplas, indolores, que não cicatrizam com o tratamento conservador ou quando há suspeita de uma causa secundária (doença de Crohn, infecções sexualmente transmissíveis, tuberculose, HIV, ou malignidade). A história familiar de câncer colorretal é um fator de risco para câncer, mas a apresentação clínica descrita (dor intensa, hematoquezia, constipação) é clássica de fissura, e a idade do pai (60 anos) não indica um risco tão precoce para a paciente a ponto de justificar uma biópsia imediata para malignidade sem outras evidências.
Os sintomas clássicos da fissura anal incluem dor anal intensa durante e após as evacuações, que pode durar horas, e sangramento vermelho vivo (hematoquezia) nas fezes ou no papel higiênico, frequentemente associados à constipação.
A biópsia não é rotineiramente indicada para fissuras anais primárias, que são diagnosticadas clinicamente. Ela é considerada em casos de fissuras atípicas (laterais, múltiplas, indolores, não cicatrizantes) ou quando há suspeita de doença secundária (Crohn, infecção, malignidade).
A fissura anal primária é idiopática, geralmente causada por trauma durante a evacuação (constipação) e localizada na linha média posterior. A fissura anal secundária é causada por uma doença subjacente (ex: doença de Crohn, infecções, HIV) e pode ter localização atípica ou características incomuns.
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