CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Em relação às fissuras anais, qual das alternativas é correta?
Fissura anal → 1ª linha: Dieta rica em fibras + Vasodilatadores tópicos.
A maioria das fissuras anais agudas responde ao tratamento clínico focado na redução do tônus do esfíncter anal interno e na regulação do hábito intestinal.
A fissura anal é uma úlcera linear no revestimento do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior. A fisiopatologia envolve um ciclo de trauma fecal, hipertonia do esfíncter anal interno e isquemia relativa da mucosa, o que impede a cicatrização. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de dor intensa à evacuação e sangramento vivo. O manejo moderno prioriza a 'esfincterotomia química' com agentes tópicos. Os bloqueadores de canais de cálcio são frequentemente preferidos aos nitratos devido ao menor perfil de efeitos colaterais (como cefaleia). A compreensão da anatomia do canal anal e da fisiologia da defecação é essencial para o manejo adequado dessas lesões na prática ambulatorial.
O tratamento inicial é sempre conservador. Consiste na modificação da dieta para aumentar a ingestão de fibras e líquidos, visando fezes macias que não traumatizem o canal anal. Associam-se banhos de assento com água morna para promover o relaxamento do esfíncter e o uso de pomadas contendo bloqueadores de canais de cálcio (como diltiazem ou nifedipina) ou nitratos, que reduzem a pressão de repouso do esfíncter anal interno e melhoram a perfusão local.
A cirurgia, geralmente a esfincterotomia lateral interna, é indicada para fissuras anais crônicas que não responderam ao tratamento clínico conservador após 6 a 8 semanas, ou em casos de dor insuportável. O objetivo da cirurgia é reduzir permanentemente a hipertonia do esfíncter anal interno, permitindo a cicatrização da mucosa. Embora eficaz, carrega um pequeno risco de incontinência fecal gasosa ou líquida.
Sim, pacientes com Doença de Crohn podem apresentar fissuras anais, mas estas costumam ter características atípicas: são múltiplas, localizadas fora da linha média (laterais) e frequentemente menos dolorosas do que as fissuras idiopáticas. Nesses casos, o tratamento deve focar na doença de base, e a cirurgia deve ser evitada ao máximo devido ao alto risco de má cicatrização e fístulas complexas.
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