SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Mulher, 32 anos, relata que, há cerca de três meses, apresenta dor ao evacuar, sangramento vermelho vivo esporádico e piora da constipação. Ao exame proctológico, há dor na manipulação, além de presença de plicoma posterior e mediano, em cuja base há solução de continuidade com 0,6 cm de extensão e visualização de fibras do músculo esfíncter anal interno. O toque retal não foi realizado. Qual dos seguintes medicamentos (na apresentação de pomada) deve ser prescrito para tratamento dessa condição?
Fissura anal crônica → Plicoma + Fibras do EAI visíveis + Nitratos/BCC tópicos.
O tratamento da fissura anal crônica foca na redução da hipertonia do esfíncter anal interno através de relaxantes musculares tópicos, como nitratos ou bloqueadores de canais de cálcio.
A fissura anal é uma causa comum de proctalgia e sangramento. A fisiopatologia envolve um ciclo de dor, hipertonia do esfíncter anal interno e isquemia relativa da linha média posterior. O tratamento inicial é sempre conservador, visando quebrar esse ciclo. A isossorbida tópica é uma opção de 'esfincterotomia química', permitindo a cicatrização em até 60-80% dos casos. É fundamental diferenciar a fissura aguda da crônica, pois esta última raramente cicatriza apenas com medidas dietéticas.
A tríade clássica da fissura anal crônica consiste na própria fissura (solução de continuidade), o plicoma sentinela (hipertrofia cutânea externa) e a papila anal hipertrófica internamente. A visualização de fibras do músculo esfíncter anal interno no leito da ferida também é um marcador de cronicidade importante para o diagnóstico diferencial com fissuras agudas.
Os nitratos tópicos, como a nitroglicerina ou isossorbida, atuam como doadores de óxido nítrico. O óxido nítrico promove o relaxamento da musculatura lisa do esfíncter anal interno, reduzindo a pressão de repouso anal. Isso melhora a perfusão sanguínea local (que é prejudicada pela hipertonia), facilitando a cicatrização da mucosa anal lesionada.
O tratamento cirúrgico, geralmente a esfincterotomia lateral interna, é indicado quando há falha do tratamento clínico conservador (fibras, banhos de assento e pomadas) após 6 a 8 semanas. A cirurgia é considerada o padrão-ouro em eficácia, mas reserva-se para casos refratários devido ao risco potencial, embora baixo, de incontinência anal pós-operatória.
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