FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Paciente masculino, de 33 anos de idade com queixa de sangramento, dor e abaulamento anal há 5 semanas. Nega comorbidades. Refere pouca ingesta de fibras e 3 litros de água por dia. Hábito intestinal 1x por semana com fezes endurecidas. Ao exame, presença de plicoma na região posterior do ânus associado a ulceração, papila hipertrófica e hipertonia esfincteriana. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta o tratamento correto.
Fissura crônica (tríade) + hipertonia → Fibras + Água + Vasodilatador tópico (Diltiazem).
O tratamento da fissura anal crônica foca na redução da hipertonia do esfíncter interno e na correção do hábito intestinal para permitir a cicatrização da úlcera.
A fissura anal é uma laceração linear do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior. A fisiopatologia envolve um ciclo de trauma fecal, dor e espasmo do esfíncter interno, o que gera isquemia local e impede a cicatrização. O manejo inicial deve ser sempre conservador, priorizando a modificação da consistência fecal através de dieta rica em fibras (25-40g/dia) e alta ingestão hídrica, associada a banhos de assento mornos e agentes farmacológicos que promovam o relaxamento esfincteriano.
A fissura anal crônica é classicamente identificada pela 'Tríade de Brodie', que consiste em: 1) A própria úlcera (fissura) com fibras do esfíncter interno visíveis no fundo; 2) Plicoma sentinela (abaulamento cutâneo distal); 3) Papila anal hipertrófica (proximal à fissura). A presença desses elementos indica cronicidade, geralmente superior a 6-8 semanas, e frequentemente está associada à hipertonia do esfíncter anal interno que mantém a isquemia local.
O Diltiazem a 2% é um bloqueador de canal de cálcio utilizado topicamente para promover a 'esfincterotomia química'. Ele atua relaxando a musculatura lisa do esfíncter anal interno, o que reduz a pressão de repouso anal. Essa redução da hipertonia melhora a perfusão sanguínea local (anodermia), facilitando a cicatrização da fissura. É uma alternativa eficaz e com menos efeitos colaterais sistêmicos em comparação aos nitratos tópicos.
O tratamento cirúrgico, sendo a esfincterotomia lateral interna (ELI) o padrão-ouro, é indicado quando há falha do tratamento clínico conservador bem conduzido por 6 a 8 semanas, ou em casos de dor insuportável e recidivas frequentes. A cirurgia visa reduzir permanentemente a hipertonia esfincteriana, apresentando altas taxas de cura, embora carregue um risco pequeno de incontinência anal residual, o que exige seleção criteriosa dos pacientes.
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