FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020
Homem, de 36 anos, vai ao consultório com queixa de dor anal importante à evacuação e hematoquezia, que percebe no papel higiênico, há 8 semanas. Fez uso de pomadas proctológicas sem melhora. Devido ao quadro de dor, não foi possível fazer anuscopia. Assinale a alternativa CORRETA em relação ao diagnóstico mais provável e ao tratamento mais indicado:
Dor anal intensa à evacuação + hematoquezia + cronicidade (>8 semanas) + dor impede exame → Fissura anal crônica; tratamento cirúrgico é esfincterotomia lateral interna.
A dor anal intensa à evacuação, sangramento no papel higiênico e cronicidade do quadro, que impede até mesmo o exame físico, são altamente sugestivos de fissura anal crônica. O tratamento cirúrgico de escolha para casos refratários é a esfincterotomia lateral interna, que visa reduzir a hipertonia do esfíncter anal interno.
A fissura anal é uma úlcera linear na pele do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior. É uma condição comum que causa dor anal intensa, especialmente durante e após a evacuação, e sangramento vermelho vivo. A dor é frequentemente tão severa que o paciente evita evacuar, levando à constipação e perpetuando o ciclo da fissura. A hipertonia do esfíncter anal interno é um fator chave na sua patogênese, reduzindo o fluxo sanguíneo local e dificultando a cicatrização. Quando a fissura persiste por mais de 8 semanas, é classificada como crônica e geralmente apresenta bordas elevadas, papila hipertrófica e/ou plicoma sentinela. Nesses casos, o tratamento conservador com pomadas (nitroglicerina, diltiazem), banhos de assento e ajuste da dieta para amolecer as fezes, muitas vezes é ineficaz. A dor intensa pode impedir até mesmo o exame proctológico completo, como a anuscopia, devido ao espasmo esfincteriano. Para fissuras anais crônicas e refratárias, o tratamento cirúrgico é a opção mais eficaz. A esfincterotomia lateral interna é considerada o padrão-ouro, pois secciona seletivamente uma porção do esfíncter anal interno, aliviando o espasmo, melhorando a perfusão e permitindo a cicatrização. É um procedimento com alta taxa de sucesso e baixo risco de incontinência fecal quando realizado corretamente.
Os sintomas clássicos da fissura anal incluem dor intensa e aguda durante e após a evacuação, que pode durar horas, e sangramento vermelho vivo, geralmente notado no papel higiênico ou nas fezes.
O tratamento cirúrgico é indicado para fissuras anais crônicas que não respondem ao tratamento conservador (higiene, dieta, pomadas) após 6-8 semanas, ou em casos de fissuras com complicações como papila hipertrófica ou plicoma sentinela.
A esfincterotomia lateral interna é um procedimento cirúrgico que consiste na secção parcial das fibras do esfíncter anal interno. É o tratamento de escolha para fissura anal crônica porque reduz a hipertonia do esfíncter, melhora a vascularização local e promove a cicatrização da fissura.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo