Fissura Anal: Diagnóstico e Manejo da Dor e Hematoquezia

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 28 anos, procura atendimento médico queixando de dor intensa na região do ânus, de início há 1 mês, associada a alguns episódios de hematoquezia. Nega vômitos e diarreia. Nega febre. Nega trauma local. É constipado crônico e faz uso esporádico de laxantes. Ao exame físico nota-se úlcera linear posterior situada no canal anal que se estende da linha pectínea à margem anal e um plicoma na borda da pele com papila anal hipertrófica. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Abscesso anorretal.
  2. B) Hemorroida.
  3. C) Fístula anal.
  4. D) Fissura anal.

Pérola Clínica

Dor anal intensa + hematoquezia + constipação + úlcera linear posterior = Fissura anal.

Resumo-Chave

A fissura anal é caracterizada por dor intensa durante e após a evacuação, hematoquezia e constipação crônica, frequentemente associada a uma úlcera linear na linha média posterior do canal anal. A presença de plicoma sentinela e papila anal hipertrófica são achados clássicos da cronicidade.

Contexto Educacional

A fissura anal é uma condição proctológica comum, caracterizada por uma úlcera linear na mucosa do canal anal, geralmente na linha média posterior. É uma das causas mais frequentes de dor anal intensa e sangramento retal, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Sua compreensão é vital para clínicos gerais, gastroenterologistas e cirurgiões. A fisiopatologia da fissura anal está intrinsecamente ligada à constipação crônica e ao trauma repetido por fezes endurecidas. O trauma inicial leva à formação da úlcera, que por sua vez causa dor intensa e espasmo reflexo do esfíncter anal interno. Esse espasmo reduz o fluxo sanguíneo para a área, dificultando a cicatrização e perpetuando a lesão, levando à cronicidade. Sinais de cronicidade incluem o plicoma sentinela (um pequeno nódulo de pele na margem anal) e a papila anal hipertrófica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de dor anal excruciante durante e após a defecação, hematoquezia e constipação. O exame físico revela a úlcera linear. O tratamento inicial é conservador, focado em amolecer as fezes (fibras, laxantes), banhos de assento e pomadas com relaxantes musculares (nitroglicerina tópica, diltiazem) para reduzir o espasmo esfincteriano e promover a cicatrização. Em casos refratários, a esfincterotomia lateral interna é o tratamento cirúrgico de escolha.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da fissura anal?

Os sintomas clássicos incluem dor anal intensa, aguda e lancinante durante e após a evacuação, que pode durar horas, e sangramento vermelho vivo (hematoquezia) nas fezes ou no papel higiênico.

Qual a principal causa da fissura anal e como ela se cronifica?

A principal causa é o trauma na mucosa anal, geralmente por fezes endurecidas na constipação. Isso leva a um ciclo vicioso de dor, espasmo do esfíncter anal interno, isquemia local e dificuldade de cicatrização, cronificando a lesão.

Como diferenciar fissura anal de hemorroidas?

A fissura anal causa dor mais intensa e excruciante, com uma úlcera linear visível. Hemorroidas causam dor mais branda (exceto trombosadas), prolapso e sangramento, mas a lesão é vascular, não uma úlcera.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo