Fissura Anal Crônica: Tratamento Cirúrgico Ideal

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 30 anos de idade comparece em consulta ambulatorial com queixa de dor em região anal ao evacuar há 8 meses. Refere ter realizado tratamento com medicações tópicas e medidas higienodietéticas, sem sucesso. Relata também constipação crônica, chegando a ficar 5 dias sem evacuar. Sem outras queixas ou antecedentes relevantes. Ao exame físico, apresenta apenas alteração de exame proctológico, que pode ser vista nas imagens a seguir:Assinale a alternativa que contém a afirmativa correta em relação ao caso:

Alternativas

  1. A) A apresentação da doença é atípica e é indicado iniciar tratamento empírico para doença de Crohn com imunobiológicos.
  2. B) A apresentação da doença é atípica e é indicado solicitar colonoscopia e sorologias para infecções sexualmente transmissíveis.
  3. C) A apresentação da doença é típica e o tratamento cirúrgico envolve a secção parcial do esfíncter externo do ânus.
  4. D) A apresentação da doença é típica e o tratamento cirúrgico envolve a secção parcial do esfíncter interno do ânus.
  5. E) A apresentação da doença é atípica e é indicado fazer investigação complementar da lesão com biópsia excisional.

Pérola Clínica

Fissura anal crônica refratária → esfincterotomia lateral interna (secção parcial esfíncter interno).

Resumo-Chave

A fissura anal crônica, caracterizada por dor à evacuação e constipação, é frequentemente associada à hipertonia do esfíncter anal interno. Quando o tratamento conservador falha, a esfincterotomia lateral interna é a técnica cirúrgica de escolha, visando reduzir essa hipertonia e promover a cicatrização.

Contexto Educacional

A fissura anal é uma úlcera linear na pele do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior. A dor intensa durante a evacuação leva a um ciclo vicioso de constipação e hipertonia do esfíncter anal interno, dificultando a cicatrização e cronificando a lesão. A apresentação com dor à evacuação e constipação por meses é típica de uma fissura anal crônica. O tratamento inicial da fissura anal é conservador, incluindo medidas higienodietéticas para amolecer as fezes, analgésicos e pomadas tópicas (nitratos, bloqueadores de canais de cálcio) para relaxar o esfíncter. No entanto, em casos de fissura anal crônica refratária ao tratamento conservador, a intervenção cirúrgica torna-se necessária. A esfincterotomia lateral interna é o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico da fissura anal crônica. Este procedimento envolve a secção parcial das fibras do esfíncter anal interno, o que reduz a hipertonia esfincteriana, alivia a dor e melhora a vascularização local, promovendo a cicatrização da fissura. É crucial diferenciar o esfíncter interno (involuntário) do externo (voluntário) para evitar complicações como incontinência fecal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos de uma fissura anal crônica?

Os sintomas típicos incluem dor intensa e aguda durante e após a evacuação, sangramento retal leve (geralmente nas fezes ou papel higiênico) e constipação, que pode ser tanto causa quanto consequência da dor.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado para fissura anal?

O tratamento cirúrgico é indicado para fissuras anais crônicas que não respondem ao tratamento conservador (medidas higienodietéticas, pomadas com nitratos ou bloqueadores de cálcio) após um período adequado, geralmente 6-8 semanas.

Qual a principal técnica cirúrgica para fissura anal crônica e por que ela é eficaz?

A esfincterotomia lateral interna é a técnica de escolha. Ela consiste na secção parcial do esfíncter anal interno, que está hipertrófico e hiperativo na fissura crônica, reduzindo a pressão anal e melhorando a vascularização local para cicatrização.

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