USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 30 anos, há 2 dias com dor anal importante, após evacuação com esforço e fezes endurecidas. Refere eliminação de sangue vivo pelo ânus, que pinga no vaso sanitário após a passagem das fezes. Como antecedentes, informou que o hábito intestinal era a cada 2 dias, com fezes macias e que, na última semana, após viagem a trabalho, modificou sua rotina alimentar. Nega câncer na família. Mãe foi operada de hemorroidas. Ao exame físico da região anal, observou-se o achado da figura. Qual a melhor conduta?
Dor anal intensa + sangramento vivo + fezes endurecidas → fissura anal. Conduta inicial: higienodietética.
A fissura anal, caracterizada por dor intensa e sangramento vivo após evacuação de fezes endurecidas, tem como conduta inicial a orientação higienodietética para amolecer as fezes e reduzir o trauma.
A fissura anal é uma úlcera linear ou elíptica na pele do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior. É uma condição comum e extremamente dolorosa, frequentemente associada à constipação e à passagem de fezes endurecidas, que causam trauma na mucosa anal. Os sintomas típicos incluem dor anal intensa durante e após a evacuação, que pode persistir por horas, e sangramento de sangue vivo, geralmente em pequena quantidade, que pinga no vaso sanitário ou é visível no papel higiênico. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico, que revela a fissura. A conduta inicial para a fissura anal aguda é conservadora e foca na modificação do hábito intestinal. A orientação higienodietética é a pedra angular do tratamento, visando amolecer as fezes e reduzir o esforço evacuatório. Isso inclui o aumento da ingestão de fibras e líquidos, uso de laxantes formadores de bolo fecal e banhos de assento com água morna para relaxar o esfíncter e aliviar a dor. Se as medidas conservadoras não forem eficazes após algumas semanas, podem ser introduzidos tratamentos tópicos que visam relaxar o esfíncter anal interno, como pomadas de diltiazem, nifedipina ou nitroglicerina. A cirurgia, como a esfincterotomia lateral interna, é geralmente reservada para fissuras crônicas que não respondem ao tratamento clínico, devido ao risco de incontinência fecal. O manejo adequado é crucial para evitar a cronicidade da fissura e suas complicações.
Os sintomas clássicos de uma fissura anal incluem dor anal intensa e aguda durante e após a evacuação, que pode durar horas, e sangramento de sangue vivo que geralmente pinga no vaso sanitário ou suja o papel higiênico.
A orientação higienodietética é a primeira linha porque visa amolecer as fezes e regular o trânsito intestinal, reduzindo o esforço evacuatório e o trauma na região anal, o que é essencial para a cicatrização da fissura e alívio da dor.
Tratamentos farmacológicos tópicos, como diltiazem ou nifedipina, são considerados quando as medidas higienodietéticas falham em promover a cicatrização da fissura após algumas semanas. A cirurgia, como a esfincterotomia lateral interna, é reservada para casos crônicos e refratários ao tratamento clínico.
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