Fissura Anal: Causas, Diagnóstico e Tratamento

CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 34 anos, sofre de constipação crônica. Apresenta sangramento de coloração vermelho vivo há 2 meses ao esforço para evacuar. Ao exame físico foi observada úlcera branca e papilas hipertróficas. Realizou tratamento com laxantes, aumento de fibras na dieta, banhos de assento, pomada de nitroglicerina e bloqueador de canal de cálcio. No momento o cirurgião optou por uso de toxina botulínica. Além da constipação crônica, pode ser causa de fissura anal, exceto:

Alternativas

  1. A) Diarreia.
  2. B) Doença de Crohn.
  3. C) Lacerações de Mallory-Weiss.
  4. D) Sífilis.

Pérola Clínica

Fissura anal: dor + sangramento ao evacuar. Causas: constipação, diarreia, Crohn, ISTs. Mallory-Weiss NÃO causa.

Resumo-Chave

A fissura anal é uma úlcera linear no canal anal, frequentemente causada por trauma durante a evacuação (constipação ou diarreia). Condições inflamatórias como a Doença de Crohn e infecções sexualmente transmissíveis como a sífilis também podem causar fissuras. As lacerações de Mallory-Weiss, por outro lado, são lesões esofágicas e não têm relação com a patogênese das fissuras anais.

Contexto Educacional

A fissura anal é uma condição proctológica comum, caracterizada por uma úlcera linear na pele do canal anal, geralmente localizada na linha média posterior. É uma das causas mais frequentes de dor anal e sangramento retal. A fisiopatologia envolve um trauma na mucosa anal, frequentemente associado à passagem de fezes endurecidas (constipação crônica) ou, paradoxalmente, à diarreia persistente e irritativa. O trauma leva a um espasmo do esfíncter anal interno, que reduz o fluxo sanguíneo para a área, dificultando a cicatrização e cronificando a lesão. Além da constipação e diarreia, outras condições podem predispor ou causar fissuras anais. Doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Crohn, podem manifestar-se com fissuras atípicas, múltiplas ou complexas, que muitas vezes não respondem ao tratamento convencional. Infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, herpes e HIV, também podem causar lesões anais que se assemelham a fissuras ou úlceras. É crucial diferenciar essas causas para um tratamento adequado. O tratamento inicial da fissura anal é clínico, visando aliviar a dor, reduzir o espasmo esfincteriano e promover a cicatrização. Inclui medidas dietéticas (aumento de fibras), laxantes, banhos de assento e pomadas tópicas (nitroglicerina, bloqueadores de canal de cálcio). Em casos refratários, a toxina botulínica é uma opção eficaz para relaxar o esfíncter. A cirurgia (esfincterotomia lateral interna) é reservada para casos que não respondem ao tratamento conservador. É importante ressaltar que lacerações de Mallory-Weiss são lesões do esôfago e não estão relacionadas à etiologia das fissuras anais.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de fissura anal?

As principais causas incluem trauma durante a evacuação (constipação crônica ou diarreia), doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn, e infecções sexualmente transmissíveis como sífilis ou herpes.

Quais são os sintomas típicos de uma fissura anal?

Os sintomas clássicos são dor intensa durante e após a evacuação, sangramento de coloração vermelho vivo nas fezes ou no papel higiênico, e, em casos crônicos, a presença de uma papila hipertrófica (sentinel pile) e úlcera anal.

Como a toxina botulínica atua no tratamento da fissura anal?

A toxina botulínica é injetada no esfíncter anal interno para causar uma paralisia temporária e relaxamento do músculo. Isso reduz o espasmo esfincteriano, melhora a perfusão sanguínea na área da fissura e facilita a cicatrização.

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