Úlceras por Pressão: Fisiopatologia e Manejo Cirúrgico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Em relação às úlceras por pressão, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) sua fisiopatologia está relacionada à compressão tecidual, levando à isquemia e necrose.
  2. B) o tratamento cirúrgico é feito preferencialmente por enxerto cutâneo, principalmente nos pacientes com lesão raquimedular.
  3. C) retalhos musculares devem ser evitados nas úlceras grandes, já que, nesses casos, há melhor resultado com retalhos fasciocutâneos.
  4. D) no estágio IV, o tratamento é preferivelmente clínico.

Pérola Clínica

Úlcera por pressão = compressão tecidual prolongada → isquemia → necrose. Fisiopatologia chave para prevenção e tratamento.

Resumo-Chave

A fisiopatologia das úlceras por pressão (ou lesões por pressão) é primariamente a compressão prolongada de tecidos moles entre uma proeminência óssea e uma superfície externa. Isso leva à isquemia, hipóxia e subsequente necrose celular, resultando na formação da úlcera. Compreender esse mecanismo é fundamental para a prevenção e o tratamento eficaz.

Contexto Educacional

As úlceras por pressão, atualmente denominadas lesões por pressão, são áreas de dano localizado na pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultantes de pressão prolongada ou da combinação de pressão com cisalhamento. Representam um grave problema de saúde pública, com alta morbidade e mortalidade, especialmente em pacientes acamados, idosos ou com mobilidade reduzida. A compreensão de sua fisiopatologia é crucial para a prevenção e o manejo eficaz. A fisiopatologia central envolve a compressão tecidual que excede a pressão capilar, levando à isquemia, hipóxia e acúmulo de metabólitos tóxicos. Se a pressão não for aliviada, ocorre necrose celular e formação da úlcera. Fatores como fricção, cisalhamento, umidade e desnutrição agravam o processo. O estadiamento (I a IV, além de lesão tecidual profunda e não estadiável) é essencial para guiar o tratamento. O tratamento das úlceras por pressão é multifacetado, incluindo alívio da pressão, otimização nutricional, controle da infecção e cuidados com a ferida. Em úlceras de estágios avançados (III e IV), o tratamento cirúrgico é frequentemente necessário. Retalhos musculares ou fasciocutâneos são preferidos em relação a enxertos cutâneos para grandes defeitos sobre proeminências ósseas, pois fornecem maior volume, vascularização e acolchoamento, reduzindo o risco de recorrência. O tratamento clínico é paliativo para estágios avançados, sendo a cirurgia a opção preferencial para fechamento definitivo e prevenção de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de úlceras por pressão?

Os principais fatores incluem imobilidade prolongada, desnutrição, umidade excessiva, fricção e cisalhamento da pele, idade avançada, doenças crônicas e déficits neurológicos que afetam a sensibilidade e a mobilidade.

Qual a diferença entre enxerto cutâneo e retalho no tratamento de úlceras por pressão?

Enxertos cutâneos são camadas finas de pele transferidas sem suprimento sanguíneo próprio, dependendo da vascularização do leito receptor. Retalhos são transferências de tecido (pele, gordura, músculo) com seu próprio suprimento sanguíneo, sendo mais robustos e preferidos para úlceras profundas sobre proeminências ósseas.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado para úlceras por pressão?

O tratamento cirúrgico é indicado para úlceras de estágios avançados (III e IV) que não cicatrizam com tratamento clínico, úlceras com infecção persistente, osteomielite subjacente ou para melhorar a qualidade de vida e prevenir recorrências, utilizando desbridamento e reconstrução com retalhos.

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