Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2021
Sobre a fisiopatologia da síndrome dos ovários policísticos (SOP), marque a alternativa INCORRETA:
SOP: Insulina ↓ SHBG → ↑ androgênios livres. A alternativa B está incorreta.
A resistência à insulina na SOP leva a uma diminuição da produção hepática de globulina carreadora de hormônios sexuais (SHBG), resultando em um aumento da fração livre e biologicamente ativa dos androgênios. A alternativa B afirma o oposto, tornando-a incorreta.
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma endocrinopatia complexa e heterogênea, sendo a causa mais comum de anovulação crônica e hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva, afetando cerca de 5-10% delas. Sua compreensão é fundamental para o diagnóstico e manejo adequados, sendo um tema recorrente em provas de residência médica, especialmente em Ginecologia e Endocrinologia. A fisiopatologia envolve uma interação multifatorial entre fatores genéticos e ambientais, culminando em disfunção ovariana, resistência à insulina e hiperandrogenismo. A disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, caracterizada por uma pulsatilidade alterada do GnRH, leva a um aumento da relação LH/FSH, que estimula a produção de androgênios pelas células da teca e prejudica o desenvolvimento folicular. A resistência à insulina, um componente central da SOP, não só exacerba a produção de androgênios ovarianos, como também diminui a síntese hepática de SHBG, elevando os níveis de androgênios livres. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Rotterdam, e a suspeita deve surgir diante de irregularidades menstruais, sinais de hiperandrogenismo e ovários policísticos à ultrassonografia. O tratamento da SOP é individualizado e visa controlar os sintomas, prevenir complicações metabólicas e cardiovasculares, e restaurar a fertilidade quando desejado. Inclui mudanças no estilo de vida, contraceptivos orais combinados para regular o ciclo e controlar o hiperandrogenismo, e sensibilizadores de insulina como a metformina. A compreensão aprofundada da fisiopatologia é crucial para guiar as escolhas terapêuticas e para que o residente possa correlacionar os achados clínicos com os mecanismos subjacentes da doença.
Na SOP, há uma pulsatilidade inapropriada do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), que favorece uma maior produção de hormônio luteinizante (LH) em detrimento do hormônio folículo estimulante (FSH), contribuindo para a anovulação crônica.
A resistência à insulina estimula diretamente as células da teca ovarianas a produzir mais androgênios (testosterona e androstenediona). Além disso, a hiperinsulinemia diminui a produção hepática de globulina carreadora de hormônios sexuais (SHBG), aumentando a fração livre e ativa dos androgênios circulantes.
O aumento da estrona em pacientes com SOP é resultado de uma maior conversão periférica de androstenediona em estrona, processo mediado pela enzima aromatase no tecido adiposo. Isso contribui para o desequilíbrio hormonal característico da síndrome.
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