AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2015
Na pré-eclampsia é correto afirmar que:
Pré-eclâmpsia: ↑ resistência uteroplacentária precede sintomas clínicos maternos em semanas.
A pré-eclâmpsia é caracterizada por uma placentação anormal que leva ao aumento da resistência vascular uteroplacentária. Essa alteração hemodinâmica pode ser detectada pela dopplerfluxometria das artérias uterinas semanas antes do surgimento dos sinais e sintomas clínicos maternos, como hipertensão e proteinúria.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia complexa, caracterizada por hipertensão e proteinúria (ou sinais de disfunção de órgão-alvo) que se desenvolve após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. Sua fisiopatologia central envolve uma placentação anormal, onde há uma falha na remodelação das artérias espiraladas uterinas pelos trofoblastos, resultando em vasos de pequeno calibre e alta resistência, que não conseguem suprir adequadamente as demandas do feto em crescimento. Essa inadequada perfusão placentária leva a um estado de isquemia e hipóxia, com liberação de fatores antiangiogênicos e inflamatórios na circulação materna. Esses fatores causam disfunção endotelial sistêmica, que se manifesta clinicamente como hipertensão, proteinúria e, em casos graves, acometimento de múltiplos órgãos como rins, fígado, cérebro e sistema hematológico. É crucial entender que as alterações na circulação uteroplacentária, como o aumento da resistência vascular, precedem em semanas o aparecimento dos sintomas clínicos maternos. A detecção precoce dessas alterações, muitas vezes por meio da dopplerfluxometria das artérias uterinas, permite identificar gestantes de alto risco e implementar medidas de vigilância e, em alguns casos, profilaxia (como o uso de aspirina em baixas doses). O manejo da pré-eclâmpsia visa estabilizar a mãe, monitorar o bem-estar fetal e, se necessário, realizar a interrupção da gestação no momento mais oportuno para minimizar riscos maternos e fetais. O conhecimento aprofundado da fisiopatologia é essencial para o diagnóstico precoce e a conduta adequada, impactando diretamente o prognóstico.
A principal alteração inicial é a falha na segunda onda de invasão trofoblástica das artérias espiraladas, que permanecem com alta resistência e baixa capacitância. Isso resulta em hipoperfusão placentária e disfunção endotelial sistêmica.
A dopplerfluxometria das artérias uterinas pode identificar o aumento da resistência vascular (índice de pulsatilidade elevado e/ou incisura protodiastólica) já no segundo trimestre, indicando risco aumentado de pré-eclâmpsia semanas antes do surgimento dos sintomas maternos.
Os sinais clássicos incluem hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas de gestação) e proteinúria. Outros sintomas podem ser cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica, edema e alterações laboratoriais como plaquetopenia e elevação de transaminases.
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