PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023
RGZ, sexo masculino, 50 anos, empresário, sem comorbidades, procura o hospital com queixa de dor abdominal moderada, iniciada há cerca de 40 minutos, localizada em região periumbilical. A dor está limitando as suas atividades cotidianas. Refere ainda inapetência e febre baixa não termometrada. Considerando-se os dados apresentados, é ERRADO afirmar:
Dor visceral é difusa e mal localizada (distensão, isquemia); dor somática é localizada (irritação peritoneal parietal).
A dor visceral é transmitida por fibras simpáticas aferentes e é difusa, enquanto a dor somática, que ocorre por irritação do peritônio parietal, é bem localizada. Vísceras ocas são insensíveis a corte ou esmagamento, mas respondem a distensão, isquemia ou inflamação.
A compreensão da fisiopatologia da dor abdominal é fundamental para o diagnóstico diferencial do abdome agudo. A dor abdominal pode ser classificada em visceral, somática ou referida, cada uma com características distintas que auxiliam na localização e etiologia do processo patológico. A dor visceral, originada de órgãos internos, é geralmente difusa e mal localizada, causada por distensão, isquemia ou inflamação, e transmitida por fibras nervosas simpáticas aferentes. Sua localização é frequentemente referida a dermátomos correspondentes à origem embriológica do órgão, como a dor periumbilical para o intestino médio. Em contraste, a dor somática é aguda, súbita e bem localizada, resultando da irritação do peritônio parietal, da parede abdominal ou do diafragma. Esta dor é transmitida por nervos espinhais e é mais fácil de ser pontuada pelo paciente. A progressão de uma doença visceral pode levar à irritação do peritônio parietal, transformando uma dor difusa em uma dor mais localizada e intensa, um sinal importante de agravamento do quadro. É crucial para o residente diferenciar esses tipos de dor para guiar a investigação diagnóstica e o manejo. A insensibilidade das vísceras a estímulos como corte ou esmagamento é um conceito-chave, pois a dor visceral não é desencadeada por esses traumas diretos, mas sim por alterações funcionais ou inflamatórias. O nervo vago, embora importante na inervação visceral, não tem papel primário na transmissão da dor abdominal, que é predominantemente simpática.
A dor visceral é difusa, mal localizada e causada por distensão, isquemia ou inflamação de órgãos. A dor somática é bem localizada e resulta da irritação do peritônio parietal, da parede abdominal ou do diafragma.
As vísceras abdominais são sensíveis a distensão, contração vigorosa, isquemia e inflamação. Elas são, no entanto, insensíveis a estímulos como corte, divulsão, esmagamento ou queimaduras.
A dor visceral é transmitida por nervos simpáticos aferentes, resultando em dor referida em dermátomos específicos (ex: dor periumbilical para intestino médio). A dor somática é transmitida por nervos espinhais e é bem localizada, correspondendo ao local da irritação.
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