HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2024
A desnutrição é uma doença multicausal, com raízes na pobreza, que acomete todos os órgãos. Sobre as alterações fisiopatológicas que ocorrem na desnutrição, é correto afirmar:
Desnutrição ↓ secreção ácida gástrica → ↑ colonização bacteriana → ↑ risco infecções.
Na desnutrição, a redução da secreção ácida gástrica é uma alteração fisiopatológica importante. Isso compromete a barreira protetora do estômago contra microrganismos, facilitando a colonização por bactérias intestinais fecais e aumentando o risco de infecções gastrointestinais e sistêmicas.
A desnutrição é uma síndrome complexa e multicausal, com profundas repercussões em todos os sistemas orgânicos. É um problema de saúde pública global, especialmente prevalente em regiões de pobreza. Compreender suas alterações fisiopatológicas é crucial para o manejo clínico e a prevenção de complicações. A desnutrição proteico-energética, em suas formas de marasmo e kwashiorkor, ilustra bem a gravidade do impacto metabólico. Fisiopatologicamente, a desnutrição afeta o sistema gastrointestinal, imunológico, cardiovascular, renal e endócrino. A redução da secreção ácida gástrica é um ponto chave, pois o ácido gástrico atua como uma primeira linha de defesa contra patógenos ingeridos. Sua diminuição permite a proliferação bacteriana no estômago e intestino delgado, levando à disbiose, má absorção e aumento do risco de infecções entéricas e sistêmicas, perpetuando o ciclo da desnutrição. O manejo da desnutrição exige uma abordagem holística, incluindo a correção de deficiências nutricionais, tratamento de infecções e reabilitação. É fundamental reconhecer que o edema do kwashiorkor não é protetor, mas sim um sinal de desequilíbrio hidroeletrolítico grave e hipoalbuminemia. As alterações imunológicas tornam os desnutridos extremamente vulneráveis a infecções, que são a principal causa de mortalidade. A correção eletrolítica deve ser cuidadosa, pois a hipopotassemia é mais comum que a hiperpotassemia.
A desnutrição, especialmente a proteico-energética, pode levar à atrofia da mucosa gástrica e à redução da produção de ácido clorídrico. Essa hipocloridria compromete a função de barreira do estômago contra patógenos.
A diminuição da acidez gástrica facilita a colonização do estômago por bactérias intestinais e patógenos, aumentando o risco de infecções gastrointestinais, translocação bacteriana e sepse, contribuindo para o ciclo vicioso desnutrição-infecção.
A desnutrição compromete tanto a imunidade humoral quanto a celular. Há atrofia do timo e órgãos linfoides, redução na produção de linfócitos T, diminuição da atividade fagocitária e da produção de anticorpos, tornando o indivíduo altamente suscetível a infecções.
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