Desnutrição: Fisiopatologia e Respostas Hormonais

ENARE/ENAMED — Prova 2021

Enunciado

Em relação à desnutrição, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a aguda é usualmente ligada a situações que ameaçam a vida, como trauma e infecções, e o laboratório é caracteristicamente de albumina e transferrina alta, com leucocitose.
  2. B) na crônica, normalmente, o paciente mantém massa muscular total.
  3. C) a deficiência proteica leva cronicamente à hipertrofia de órgãos linfoides, timo e baço.
  4. D) a resposta hormonal normalmente cursa com atividade do sistema reninaangiotensina- aldosterona normal ou aumentada, com aumento da retenção hídrica e de sódio.
  5. E) a perda de massa cardíaca leva a aumento do volume diastólico, com aumento reflexo do débito cardíaco.

Pérola Clínica

Desnutrição crônica → ↑ SRAA, ↑ retenção hídrica/sódio, ↓ massa muscular e órgãos linfoides.

Resumo-Chave

Na desnutrição crônica, o organismo ativa mecanismos compensatórios para preservar volume e energia, como o sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando à retenção de sódio e água. Há também uma depleção progressiva de massa muscular e atrofia de órgãos como o timo e baço, e os níveis de proteínas séricas como albumina e transferrina tendem a diminuir.

Contexto Educacional

A desnutrição é um estado de deficiência de energia, proteínas e/ou micronutrientes que leva a alterações na composição corporal e na função de múltiplos sistemas orgânicos. Sua fisiopatologia é complexa e envolve adaptações metabólicas e hormonais para preservar a vida. A desnutrição pode ser aguda, geralmente ligada a estresse metabólico, ou crônica, resultado de ingestão inadequada prolongada. Na desnutrição crônica, o organismo tenta manter a homeostase através de diversas adaptações. Uma delas é a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), que leva ao aumento da retenção de sódio e água, contribuindo para edemas e para a manutenção do volume intravascular, apesar da depleção proteica. Há uma depleção progressiva da massa muscular e atrofia de órgãos linfoides, comprometendo a imunidade. As alterações laboratoriais na desnutrição crônica incluem hipoalbuminemia e baixos níveis de transferrina. A função cardíaca também é comprometida, com perda de massa miocárdica e diminuição do débito cardíaco. Compreender essas adaptações é fundamental para o manejo nutricional e clínico dos pacientes desnutridos, visando a recuperação e a prevenção de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais alterações laboratoriais na desnutrição aguda grave?

Na desnutrição aguda grave, especialmente em situações de estresse como trauma ou infecção, pode haver uma resposta inflamatória com leucocitose. No entanto, proteínas de fase aguda como a albumina e transferrina tendem a diminuir devido à síntese hepática prejudicada e ao aumento do catabolismo, não a se elevarem.

Como a desnutrição crônica afeta a massa muscular e os órgãos linfoides?

Na desnutrição crônica, ocorre uma perda progressiva e significativa da massa muscular total, pois o corpo utiliza proteínas musculares como fonte de energia. Além disso, há atrofia de órgãos linfoides, como o timo e o baço, comprometendo a resposta imune e aumentando a suscetibilidade a infecções.

Qual o impacto da desnutrição na função cardiovascular?

A desnutrição leva à perda de massa cardíaca, resultando em diminuição do volume sistólico e do débito cardíaco. Isso ocorre como uma adaptação para reduzir o consumo de energia, e não um aumento reflexo do débito cardíaco, que seria contraproducente em um estado de depleção energética.

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