Bronquiolite em Lactentes: Fisiopatologia e Tratamento Essencial

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Um interno de medicina atende um lactente de 5 meses com quadro de febre baixa, coriza, sibilância e tosse seca, associado à diminuição do apetite. Ao exame físico, apresenta Tax = 37,5ºC, sibilos difusos e saturação O2 = 98%. Ao discutir o caso com seu preceptor, o estudante conclui que se trata de bronquiolite, cujos cuidados devem ser domiciliares, com retorno programado para reavaliação. As características anatomofuncionais do pulmão que causam a obstrução e o tratamento a ser instituído nesse caso, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) complacência pulmonar reduzida / uso de antitérmicos, hidratação e nutrição
  2. B) complacência pulmonar reduzida / uso de antitérmicos, corticoide e adrenalina
  3. C) número reduzido de glândulas no epitélio brônquico / uso de adrenalina, ß-adrenérgicos e nutrição
  4. D) número reduzido de glândulas no epitélio brônquico / uso de hidratação, corticoide e ß-adrenérgicos

Pérola Clínica

Bronquiolite em lactentes → Obstrução por edema e muco, resultando em complacência pulmonar reduzida. Tratamento é suporte: hidratação, nutrição, antitérmicos.

Resumo-Chave

Na bronquiolite, a inflamação e o edema das pequenas vias aéreas, juntamente com a produção excessiva de muco, levam à obstrução e ao aprisionamento de ar. Isso resulta em uma redução da complacência pulmonar, tornando o pulmão mais rígido e dificultando a ventilação. O tratamento é primariamente de suporte.

Contexto Educacional

A bronquiolite é uma infecção viral aguda das pequenas vias aéreas, comum em lactentes, especialmente nos primeiros dois anos de vida. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal agente etiológico. Caracteriza-se por sibilância, tosse e desconforto respiratório, sendo uma das principais causas de hospitalização em crianças pequenas, exigindo atenção no diagnóstico e manejo. A fisiopatologia envolve a inflamação e necrose do epitélio bronquiolar, resultando em edema da mucosa, aumento da produção de muco e acúmulo de detritos celulares. Isso leva à obstrução das pequenas vias aéreas, aprisionamento de ar e atelectasias, que, por sua vez, causam uma redução da complacência pulmonar. A complacência pulmonar reduzida significa que o pulmão está mais rígido e requer maior esforço para ser expandido, dificultando a ventilação. O tratamento da bronquiolite é essencialmente de suporte, focando em manter a hidratação e nutrição adequadas, controlar a febre com antitérmicos e monitorar a oxigenação. A maioria dos casos pode ser manejada em domicílio, com orientação para retorno em caso de piora. Não há evidências robustas para o uso rotineiro de broncodilatadores, corticoides ou antibióticos, pois não alteram o curso da doença e podem gerar efeitos adversos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais as características anatomofuncionais do pulmão que causam obstrução na bronquiolite?

A obstrução na bronquiolite é causada principalmente pelo edema da mucosa, necrose de células epiteliais e acúmulo de muco e detritos celulares nas pequenas vias aéreas, levando à redução da complacência pulmonar e aprisionamento de ar.

Qual o tratamento de primeira linha para bronquiolite em lactentes?

O tratamento é primariamente de suporte, incluindo hidratação adequada, nutrição, controle da febre com antitérmicos e monitoramento da saturação de oxigênio. A maioria dos casos pode ser manejada em domicílio.

Por que broncodilatadores e corticoides não são recomendados de rotina na bronquiolite?

A maioria dos estudos não demonstra benefício significativo do uso rotineiro de broncodilatadores ou corticoides na bronquiolite, pois a fisiopatologia principal é inflamação e edema das vias aéreas, e não broncoespasmo reversível.

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