Fisiopatologia da Asma: O Papel dos Mastócitos e da IgE

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Na fisiopatogenia da asma brônquica, diversos mecanismos imunológicos e inflamatórios contribuem para a obstrução das vias aéreas. Qual das seguintes afirmações melhor descreve um dos principais mecanismos envolvidos na resposta asmática?

Alternativas

  1. A) A ativação de linfócitos T CD4+ do tipo Th1 é predominante e leva à produção de citocinas inflamatórias que causam broncoconstrição.
  2. B) A liberação de mediadores inflamatórios pelos mastócitos, como histamina e leucotrienos, resulta em broncoconstrição e aumento da permeabilidade vascular.
  3. C) A presença de neutrófilos é a principal característica da inflamação nas vias aéreas, contribuindo para a remodelação crônica das mesmas.
  4. D) A produção de IgG em resposta a alérgenos é o principal fator que desencadeia a hiperresponsividade brônquica.
  5. E) O aumento da secreção de muco é exclusivamente causado pela ativação de linfócitos T CD4+ do tipo Th17.

Pérola Clínica

Asma alérgica = Resposta Th2 com IgE → degranulação de mastócitos → liberação de histamina e leucotrienos → broncoconstrição aguda.

Resumo-Chave

A fase aguda da asma alérgica é mediada pela degranulação de mastócitos sensibilizados por IgE. Essa reação libera mediadores pré-formados (histamina) e recém-sintetizados (leucotrienos), que causam a obstrução brônquica imediata por contração da musculatura lisa e aumento da permeabilidade vascular.

Contexto Educacional

A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiper-responsividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo. Sua fisiopatologia é complexa e envolve uma interação entre fatores genéticos e ambientais, culminando em uma resposta imune desregulada, principalmente do tipo Th2. No indivíduo atópico, a exposição a um alérgeno (ex: ácaro) leva à produção de anticorpos da classe IgE, que se ligam a receptores na superfície de mastócitos e basófilos, sensibilizando-os. Uma reexposição ao mesmo alérgeno provoca a ligação cruzada dessas moléculas de IgE, desencadeando a degranulação dos mastócitos. Este evento, central na resposta asmática precoce, libera mediadores pré-formados, como a histamina, e estimula a síntese de novos mediadores, como leucotrienos e prostaglandinas. Esses mediadores causam intensa broncoconstrição, aumento da permeabilidade vascular (edema) e hipersecreção de muco, resultando nos sintomas agudos de dispneia, tosse e sibilância. A inflamação crônica é mantida por uma cascata de citocinas Th2 (IL-4, IL-5, IL-13) que recrutam e ativam eosinófilos, as células inflamatórias chave na asma. A persistência dessa inflamação leva ao remodelamento das vias aéreas, com hipertrofia do músculo liso, fibrose subepitelial e angiogênese, contribuindo para a perda progressiva da função pulmonar em alguns pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são as fases da resposta asmática a um alérgeno?

A resposta asmática tem duas fases. A fase precoce ocorre minutos após a exposição, mediada pela degranulação de mastócitos, causando broncoespasmo. A fase tardia ocorre 4-8 horas depois, caracterizada pelo influxo de células inflamatórias, como eosinófilos, que mantêm a inflamação e a hiper-responsividade brônquica.

Como os medicamentos para asma atuam nessa fisiopatologia?

Os broncodilatadores (beta-2 agonistas) relaxam a musculatura lisa brônquica, revertendo a broncoconstrição da fase precoce. Os corticosteroides inalatórios atuam na fase tardia, suprimindo a inflamação crônica, reduzindo a atividade de eosinófilos e a produção de citocinas.

Qual a diferença entre a inflamação na asma e na DPOC?

A inflamação na asma alérgica é tipicamente eosinofílica e mediada por linfócitos Th2, respondendo bem a corticosteroides. Na DPOC, a inflamação é predominantemente neutrofílica e mediada por linfócitos T CD8+, sendo menos responsiva ao tratamento com corticoides.

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