Hanseníase: Fisiopatogenia e Polarização Macrófagos

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Muitos indivíduos infectados pelo M. leprae não desenvolvem a doença, fato atribuído à resistência natural contra o bacilo, sendo correto que:

Alternativas

  1. A) A fisiopatogenia da hanseníase independe da ativação dos macrófagos teciduais, que assumem dois fenótipos distintos, classificados como M1, quando se apresentam como células epitelioides predominantes nos granulomas do polo tuberculoide, ou M2, quando se apresentam como células vacuoladas não prevalentes no polo virchowiano da doença.
  2. B) A fisiopatogenia da hanseníase depende da ativação dos macrófagos teciduais, que assumem dois fenótipos indistintos, classificados como M1, quando se apresentam como células epitelioides predominantes nos granulomas do polo tuberculoide, ou M2, quando não se apresentam como células vacuoladas prevalentes no polo virchowiano da doença.
  3. C) A fisiopatogenia da hanseníase depende da ativação dos macrófagos teciduais, que assumem dois fenótipos distintos, classificados como MA, quando se apresentam como células epitelioides predominantes nos granulomas do polo não tuberculoide, ou M2, quando se apresentam como células vacuoladas prevalentes no polo virchowiano da doença.
  4. D) A fisiopatogenia da hanseníase depende da ativação dos macrófagos teciduais, que assumem dois fenótipos distintos, classificados como M1, quando se apresentam como células epitelioides predominantes nos granulomas do polo tuberculoide, ou M2, quando se apresentam como células vacuoladas prevalentes no polo virchowiano da doença.

Pérola Clínica

Hanseníase: Macrófagos M1 (epitelioides) → polo tuberculoide (Th1); Macrófagos M2 (vacuoladas) → polo virchowiano (Th2).

Resumo-Chave

A fisiopatogenia da hanseníase é determinada pela polarização da resposta imune mediada por macrófagos. Macrófagos M1, com características epitelioides, estão associados à forma tuberculoide (resposta Th1 eficaz), enquanto macrófagos M2, vacuolados e com bacilos, predominam na forma virchowiana (resposta Th2 ineficaz).

Contexto Educacional

A hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, é uma doença infecciosa crônica que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. A complexidade de sua fisiopatogenia reside na interação entre o bacilo e a resposta imune do hospedeiro, que determina o espectro clínico da doença, desde formas paucibacilares (tuberculoide) até multibacilares (virchowiana). A ativação e polarização dos macrófagos teciduais são centrais nesse processo. Os macrófagos podem assumir dois fenótipos distintos: M1 e M2. Os macrófagos M1, ativados classicamente por citocinas como IFN-γ, são caracterizados por sua capacidade microbicida e pela formação de granulomas epitelioides, sendo predominantes na hanseníase tuberculoide, onde a resposta imune celular (Th1) é robusta e eficaz na contenção do bacilo. Em contraste, os macrófagos M2, ativados alternativamente por citocinas como IL-4 e IL-13, possuem menor capacidade microbicida e tendem a se transformar em células vacuoladas (células espumosas) que abrigam grande quantidade de bacilos. Esses macrófagos M2 são prevalentes na hanseníase virchowiana, onde a resposta imune é predominantemente humoral (Th2) e ineficaz em eliminar o M. leprae, resultando em alta carga bacilar e lesões disseminadas.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre a resposta imune nas formas tuberculoide e virchowiana da hanseníase?

A forma tuberculoide é caracterizada por uma resposta imune celular (Th1) eficaz, com macrófagos M1 e granulomas bem formados, contendo poucos bacilos. A forma virchowiana apresenta uma resposta humoral (Th2) predominante, com macrófagos M2 ineficazes em eliminar o bacilo, resultando em alta carga bacilar.

Como os macrófagos M1 e M2 se manifestam histologicamente na hanseníase?

Macrófagos M1 se apresentam como células epitelioides, formando granulomas compactos na hanseníase tuberculoide. Macrófagos M2 se transformam em células espumosas (vacuoladas) que abrigam grande quantidade de bacilos, característicos da hanseníase virchowiana.

Por que alguns indivíduos infectados pelo M. leprae não desenvolvem a doença?

A resistência natural é atribuída a uma resposta imune inata e adaptativa eficaz, que consegue conter a proliferação do bacilo. Isso geralmente envolve uma forte resposta Th1 e a ativação de macrófagos M1, que eliminam o M. leprae.

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