Fisiologia e Segurança no Pneumoperitônio Laparoscópico

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

A videolaparoscopia trouxe muitos benefícios aos pacientes nas últimas décadas, mas também apresenta algumas particularidades, das quais é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Pressões maiores que 15 mmHg podem levar a grandes reduções de retorno venoso e pressões maiores que 20 mmHg podem provocar colapso dos grandes vasos abdominais.
  2. B) A insulflação pode ser realizada com CO ou CO₂, sendo que este último exige cuidado pelo risco de hipercapnia por retenção de CO₂ e consequente acidose.
  3. C) A confecção do pneumoperitônio por técnica fechada, com agulha de Veress, pode ser realizada no Umbigo, ponto central do abdome, ou na fossa ilíaca direita, lado onde se realizam os principais procedimentos abdominais, colecistectomia e apendicectomia, por exemplo.
  4. D) O laser deve ser evitado na laparoscopia pelo risco de explosões com o CO₂, por ser este inflamável.
  5. E) A laparoscopia teve grande aumento de popularidade por ter menor risco cirúrgico em pacientes portadores de DPOC e cardiopatas em comparação à cirurgia aberta.

Pérola Clínica

Pressão > 15 mmHg ↓ retorno venoso; > 20 mmHg colapso de grandes vasos abdominais.

Resumo-Chave

O pneumoperitônio induz alterações hemodinâmicas e respiratórias significativas; manter pressões entre 12-15 mmHg é crucial para a segurança do paciente.

Contexto Educacional

A videolaparoscopia revolucionou a cirurgia moderna, mas impõe desafios fisiológicos únicos. A criação do pneumoperitônio altera a mecânica respiratória ao elevar o diafragma, reduzindo a complacência pulmonar e a capacidade residual funcional. Do ponto de vista cardiovascular, o equilíbrio entre a pressão de insuflação e o status volêmico do paciente é vital. A técnica de Veress (fechada) e a técnica de Hasson (aberta) são as principais formas de acesso; a escolha depende da experiência do cirurgião e do histórico cirúrgico do paciente. O conhecimento profundo dessas alterações permite ao cirurgião e ao anestesista antecipar complicações como enfisema subcutâneo, pneumotórax e arritmias cardíacas.

Perguntas Frequentes

Quais os efeitos hemodinâmicos do pneumoperitônio?

O aumento da pressão intra-abdominal (PIA) durante a laparoscopia causa compressão da veia cava inferior e dos vasos esplâncnicos, reduzindo o retorno venoso e o débito cardíaco. Pressões acima de 15 mmHg intensificam esse efeito, enquanto pressões acima de 20 mmHg podem levar ao colapso de grandes vasos. Além disso, há um aumento da resistência vascular sistêmica devido à liberação de catecolaminas e vasopressina em resposta à distensão peritoneal.

Por que o CO2 é o gás de escolha na laparoscopia?

O dióxido de carbono (CO2) é preferido por ser incolor, não inflamável (permitindo o uso de eletrocautério e laser com segurança) e altamente solúvel no sangue. Sua alta solubilidade facilita a eliminação pulmonar e reduz o risco de embolia gasosa fatal em comparação ao ar ou oxigênio. No entanto, sua absorção peritoneal pode causar hipercapnia e acidose respiratória, exigindo ajustes na ventilação mecânica pelo anestesista.

Quais as contraindicações relativas da laparoscopia?

Pacientes com DPOC grave ou cardiopatias descompensadas podem não tolerar a hipercapnia e a redução do retorno venoso impostas pelo pneumoperitônio. Outras contraindicações incluem hipertensão intracraniana (pois a PIA elevada dificulta a drenagem venosa cerebral) e múltiplas cirurgias prévias (devido ao risco de lesão de alças intestinais por aderências durante o acesso inicial).

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