PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
A videolaparoscopia trouxe muitos benefícios aos pacientes nas últimas décadas, mas também apresenta algumas particularidades, das quais é CORRETO afirmar:
Pressão > 15 mmHg ↓ retorno venoso; > 20 mmHg colapso de grandes vasos abdominais.
O pneumoperitônio induz alterações hemodinâmicas e respiratórias significativas; manter pressões entre 12-15 mmHg é crucial para a segurança do paciente.
A videolaparoscopia revolucionou a cirurgia moderna, mas impõe desafios fisiológicos únicos. A criação do pneumoperitônio altera a mecânica respiratória ao elevar o diafragma, reduzindo a complacência pulmonar e a capacidade residual funcional. Do ponto de vista cardiovascular, o equilíbrio entre a pressão de insuflação e o status volêmico do paciente é vital. A técnica de Veress (fechada) e a técnica de Hasson (aberta) são as principais formas de acesso; a escolha depende da experiência do cirurgião e do histórico cirúrgico do paciente. O conhecimento profundo dessas alterações permite ao cirurgião e ao anestesista antecipar complicações como enfisema subcutâneo, pneumotórax e arritmias cardíacas.
O aumento da pressão intra-abdominal (PIA) durante a laparoscopia causa compressão da veia cava inferior e dos vasos esplâncnicos, reduzindo o retorno venoso e o débito cardíaco. Pressões acima de 15 mmHg intensificam esse efeito, enquanto pressões acima de 20 mmHg podem levar ao colapso de grandes vasos. Além disso, há um aumento da resistência vascular sistêmica devido à liberação de catecolaminas e vasopressina em resposta à distensão peritoneal.
O dióxido de carbono (CO2) é preferido por ser incolor, não inflamável (permitindo o uso de eletrocautério e laser com segurança) e altamente solúvel no sangue. Sua alta solubilidade facilita a eliminação pulmonar e reduz o risco de embolia gasosa fatal em comparação ao ar ou oxigênio. No entanto, sua absorção peritoneal pode causar hipercapnia e acidose respiratória, exigindo ajustes na ventilação mecânica pelo anestesista.
Pacientes com DPOC grave ou cardiopatias descompensadas podem não tolerar a hipercapnia e a redução do retorno venoso impostas pelo pneumoperitônio. Outras contraindicações incluem hipertensão intracraniana (pois a PIA elevada dificulta a drenagem venosa cerebral) e múltiplas cirurgias prévias (devido ao risco de lesão de alças intestinais por aderências durante o acesso inicial).
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