MedEvo Simulado — Prova 2026
Durante a realização de uma colecistectomia videolaparoscópica em um paciente de 65 anos com histórico de hipertensão arterial controlada, o anestesiologista observa alterações nos parâmetros hemodinâmicos e ventilatórios após a insuflação do pneumoperitônio com dióxido de carbono (CO2) a uma pressão de 15 mmHg. Sobre as repercussões fisiológicas e complicações sistêmicas do pneumoperitônio, assinale a alternativa correta:
Pneumoperitônio → ↑RVS (compressão aórtica + ativação neuro-humoral) e ↓Débito Cardíaco.
A insuflação de CO2 abdominal gera aumento da pressão intrabdominal, comprimindo vasos e estimulando a liberação de catecolaminas e vasopressina, o que eleva a resistência vascular sistêmica.
O pneumoperitônio é essencial para a visualização em cirurgias videolaparoscópicas, mas impõe desafios fisiológicos significativos, especialmente em pacientes idosos ou com cardiopatias. O uso de CO2 é preferido por ser não inflamável e altamente solúvel, minimizando o risco de embolia gasosa persistente, embora cause acidose. O manejo anestésico requer monitorização rigorosa da capnografia e ajuste dos parâmetros ventilatórios para manter a homeostase ácido-básica. Clinicamente, o aumento da RVS e a redução do débito cardíaco são as alterações hemodinâmicas mais marcantes, exigindo cautela com a pressão de insuflação, que idealmente deve ser a mínima necessária para o procedimento.
A insuflação do pneumoperitônio (geralmente mantida entre 12-15 mmHg) provoca um aumento imediato da pressão intrabdominal. Isso resulta em compressão mecânica da aorta abdominal e dos vasos periféricos, aumentando a resistência vascular sistêmica (RVS). Além disso, ocorre compressão da veia cava inferior, o que reduz o retorno venoso e a pré-carga, podendo levar a uma queda no débito cardíaco. A resposta neuro-humoral, com liberação de vasopressina e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, contribui ainda mais para a hipertensão arterial intraoperatória.
O CO2 utilizado para a insuflação é altamente solúvel e atravessa rapidamente o peritônio para a circulação sistêmica, causando hipercapnia e acidose respiratória. Para compensar, o anestesiologista deve aumentar o volume minuto (frequência respiratória ou volume corrente). Além disso, o aumento da pressão abdominal eleva o diafragma, reduzindo a complacência pulmonar e a capacidade residual funcional, o que predispõe à formação de atelectasias e alterações na relação ventilação-perfusão.
A queda do débito urinário (oligúria intraoperatória) é multifatorial. Envolve a compressão mecânica direta do parênquima renal e das veias renais pela pressão intrabdominal elevada, o que reduz o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular. Adicionalmente, a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e a liberação de hormônio antidiurético (vasopressina) em resposta às alterações hemodinâmicas promovem a retenção de sódio e água, contribuindo para a redução da diurese.
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