PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Você é chamado no pronto-socorro para avaliar uma menina de 6 anos que estava no banco de trás de um carro quando este perdeu o controle e caiu em um barranco. A criança está consciente e respirando espontaneamente. Os sinais vitais iniciais estão estáveis e ela está respondendo aos comandos. Sente dores significativas no cotovelo direito e na perna esquerda. No que diz respeito ao trauma nos pacientes pediátricos em comparação com os pacientes adultos, os primeiros apresentam
Crianças: ↑ Taxa metabólica + ↑ Reserva fisiológica = Mantêm sinais vitais até descompensação súbita.
A criança possui maior reserva funcional, mantendo pressão arterial normal mesmo com perda volêmica significativa (até 30%), mas descompensa rapidamente devido à alta demanda metabólica.
O atendimento ao trauma pediátrico exige compreensão das nuances do desenvolvimento. A 'reserva fisiológica' permite que a criança mascare sinais de gravidade até o limite da exaustão. O reconhecimento do choque deve focar na perfusão periférica (tempo de enchimento capilar), nível de consciência e frequência cardíaca, em vez de esperar pela queda da PA. Além disso, a superfície corporal maior em relação ao peso predispõe à hipotermia rápida, que deve ser prevenida ativamente durante a ressuscitação.
Crianças possuem mecanismos compensatórios adrenérgicos muito potentes, resultando em vasoconstrição periférica intensa e taquicardia persistente. Isso permite a manutenção da pressão arterial sistólica mesmo com perdas de até 25-30% do volume sanguíneo total. Por isso, a hipotensão em pediatria é um sinal tardio e pré-moribundo, indicando falha iminente dos mecanismos de compensação.
A taxa metabólica basal em crianças é significativamente maior que em adultos, o que implica em um consumo de oxigênio (VO2) muito mais elevado. Em situações de estresse, como o trauma, essa demanda aumenta ainda mais. Consequentemente, a criança esgota suas reservas energéticas e de oxigênio mais rapidamente, levando à hipóxia tecidual e acidose metabólica se a ventilação e a perfusão não forem otimizadas precocemente.
Crianças têm uma cabeça proporcionalmente maior (centro de gravidade alterado), órgãos abdominais mais expostos (menos gordura e musculatura) e um esqueleto mais elástico. Essa elasticidade óssea permite que ocorram lesões internas graves (como contusão pulmonar) sem que haja fraturas de costelas visíveis, o que pode mascarar a gravidade do impacto torácico ou abdominal.
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