SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 72 anos de idade, portador de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, foi diagnosticado com câncer de próstata e será submetido à prostatectomia eletiva. No momento, encontra-se em avaliação pré-operatória.\n\nIndique a alteração pulmonar compatível com a idade desse paciente:
Envelhecimento → ↓ PaO2 (gradiente A-a ↑) e complacência pulmonar ↑, mas PaCO2 permanece estável.
O envelhecimento pulmonar é marcado pela perda de elasticidade e redução da superfície alveolar, resultando em queda progressiva da PaO2, enquanto a PaCO2 não se altera em condições normais.
O envelhecimento do sistema respiratório envolve uma série de mudanças estruturais e funcionais. Estruturalmente, há uma redução da elasticidade pulmonar, o que leva ao aumento da Capacidade Residual Funcional (CRF) e do Volume Residual (VR). Funcionalmente, o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) e a Capacidade Vital Forçada (CVF) diminuem progressivamente após os 30 anos.\n\nClinicamente, a mudança mais notável na gasometria arterial é a queda da PaO2, que pode ser estimada pela fórmula: PaO2 = 104 - (0.27 x idade). É fundamental que o médico residente reconheça que uma PaO2 ligeiramente baixa em um paciente de 72 anos pode ser fisiológica, enquanto uma alteração na PaCO2 sugere patologia subjacente, como DPOC ou distúrbios neuromusculares.
A redução da PaO2 no idoso ocorre devido a alterações estruturais no parênquima pulmonar, como a perda de fibras elásticas e o aumento do diâmetro dos ductos alveolares, o que reduz a área de superfície para troca gasosa. Além disso, há um fechamento precoce das pequenas vias aéreas (aumento do volume de fechamento), o que gera um desequilíbrio na relação ventilação-perfusão (V/Q) e consequente aumento do gradiente alvéolo-arterial de oxigênio.
Não. Diferente da PaO2, a pressão parcial de gás carbônico (PaCO2) permanece estável em torno de 40 mmHg durante o processo de envelhecimento normal. Isso ocorre porque a difusão do CO2 é muito mais eficiente que a do O2 e os mecanismos de controle ventilatório central, embora menos sensíveis à hipóxia e hipercapnia no idoso, ainda conseguem manter a homeostase do CO2 em condições basais.
Ocorre um aumento da complacência pulmonar (o pulmão fica mais 'frouxo' devido à perda de recolhimento elástico), mas há uma diminuição da complacência da parede torácica (devido à calcificação de cartilagens costais e cifose). O resultado líquido é um aumento do trabalho respiratório e uma maior dependência da musculatura diafragmática.
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