Alterações Fisiológicas na Gravidez: Sistema Respiratório

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Sobre as alterações fisiológicas da gravidez, marque a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) O eritema palmar predomina nas eminências tentares e hipotenares e tende a piorar com a evolução da gravidez;
  2. B) Com o intuito de corrigir seu eixo corporal, ocorre um aumento da lordose lombar, aumento da base de sustentação e consequentemente, espasmos da musculatura intervertebral;
  3. C) Do ponto de vista respiratório, nota-se um aumento da capacidade residual funcional, assim como da pCO2 arterial;
  4. D) A frequência cardíaca materna aumenta cerca de 10 a 15bpm, com o pico do débito cardíaco ocorrendo em torno de 24 semanas;
  5. E) O aumento da globulina carreadora de hormônios tireoidianos (TBG), leva a um aumento compensatório dos níveis de T3 e T4.

Pérola Clínica

Gravidez → ↓ Capacidade Residual Funcional e ↓ pCO2 arterial (alcalose respiratória compensada).

Resumo-Chave

Durante a gravidez, o diafragma eleva-se, levando a uma diminuição da capacidade residual funcional. Além disso, há um aumento da ventilação minuto, resultando em uma diminuição da pCO2 arterial e uma alcalose respiratória compensada, e não um aumento da pCO2.

Contexto Educacional

A gravidez induz uma série de alterações fisiológicas complexas em praticamente todos os sistemas orgânicos maternos, visando sustentar o desenvolvimento fetal e preparar o corpo para o parto. Compreender essas adaptações é crucial para diferenciar o fisiológico do patológico e para o manejo adequado das gestantes. As alterações respiratórias são particularmente notáveis, com a elevação do diafragma devido ao útero em crescimento, que impacta os volumes pulmonares. Do ponto de vista respiratório, a capacidade residual funcional (CRF) e o volume residual diminuem. No entanto, há um aumento do volume corrente e da ventilação minuto, impulsionado principalmente pela progesterona, que atua como um estimulante respiratório. Essa hiperventilação fisiológica leva a uma diminuição da pCO2 arterial (hipocapnia) e a uma alcalose respiratória compensada, o que facilita a difusão de CO2 do feto para a mãe e de O2 da mãe para o feto. O aumento da pCO2 arterial seria uma alteração patológica, não fisiológica. Outras alterações fisiológicas importantes incluem o eritema palmar (devido ao aumento do estrogênio), o aumento da lordose lombar para compensar o centro de gravidade, o aumento da frequência cardíaca e do débito cardíaco, e o aumento da globulina carreadora de hormônios tireoidianos (TBG), que eleva os níveis totais de T3 e T4, mantendo os níveis livres normais. O conhecimento dessas adaptações é fundamental para a prática obstétrica e para a interpretação de exames complementares durante a gestação.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais alterações respiratórias fisiológicas na gravidez?

Na gravidez, ocorre elevação do diafragma, levando à diminuição da capacidade residual funcional (CRF) e do volume residual. Há um aumento do volume corrente e da ventilação minuto, resultando em uma diminuição da pCO2 arterial e uma alcalose respiratória compensada, que facilita a troca gasosa feto-materna.

Como a pCO2 arterial se comporta durante a gravidez?

A pCO2 arterial diminui durante a gravidez devido ao aumento da ventilação minuto, que é estimulado pela progesterona. Essa hipocapnia fisiológica (pCO2 entre 28-32 mmHg) é um mecanismo adaptativo que favorece a eliminação do CO2 fetal e a transferência de oxigênio para o feto.

Quais são as alterações cardiovasculares esperadas na gestação?

As alterações cardiovasculares na gestação incluem aumento da frequência cardíaca (10-15 bpm), aumento do débito cardíaco (pico em torno de 24 semanas), diminuição da resistência vascular sistêmica e aumento do volume sanguíneo. Essas adaptações visam atender às demandas metabólicas crescentes da unidade fetoplacentária.

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