Fisiologia da Micção: Inervação e Continência Urinária

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015

Enunciado

O conhecimento da fisiologia do trato urinário baixo e do mecanismo da continência urinária é importante no acompanhamento das pacientes com disfunção miccional. Sobre esse mecanismo, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Os receptores da bexiga de mais ampla aplicação clínica são os muscarínicos M2 e M3.
  2. B) As fibras pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo simpático se originam no núcleo sacral da micção.
  3. C) As alterações do esvaziamento (exemplos: jato urinário fraco, ou micção com esforço) são raras na mulher.
  4. D) Na fase de enchimento vesical, ocorre predomínio do sistema nervoso autônomo simpático.

Pérola Clínica

Inervação simpática da bexiga → fibras pré-ganglionares originam-se na medula toracolombar (T10-L2).

Resumo-Chave

As fibras pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo simpático que inervam a bexiga se originam nos segmentos toracolombares (T10-L2) da medula espinhal, e não no núcleo sacral da micção, que é a origem das fibras parassimpáticas.

Contexto Educacional

A fisiologia do trato urinário baixo é complexa e envolve a coordenação entre o sistema nervoso autônomo e somático para garantir o enchimento e esvaziamento vesical de forma controlada. A continência urinária depende da interação entre a bexiga, uretra e assoalho pélvico. O conhecimento desses mecanismos é crucial para entender as disfunções miccionais. Durante a fase de enchimento vesical, o sistema nervoso simpático (origem toracolombar T10-L2) predomina, relaxando o detrusor e contraindo o esfíncter interno. Na fase de esvaziamento, o sistema nervoso parassimpático (origem sacral S2-S4, núcleo sacral da micção) é ativado, contraindo o detrusor (principalmente via receptores M3) e relaxando o esfíncter interno. O esfíncter externo é controlado voluntariamente pelo sistema somático. Disfunções miccionais podem resultar de alterações em qualquer um desses componentes. O tratamento visa restaurar o equilíbrio, seja por meio de medicamentos que atuam nos receptores (ex: antimuscarínicos para bexiga hiperativa) ou por terapias comportamentais e cirúrgicas. É importante diferenciar as causas das alterações de enchimento e esvaziamento para um manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais receptores são mais importantes na bexiga para a função miccional?

Os receptores muscarínicos M2 e M3 são os mais relevantes na bexiga, sendo os M3 os principais responsáveis pela contração do músculo detrusor durante o esvaziamento.

Qual o papel do sistema nervoso simpático na fase de enchimento vesical?

Na fase de enchimento, o sistema nervoso simpático predomina, promovendo o relaxamento do músculo detrusor (via receptores beta-3) e a contração do esfíncter interno da uretra (via receptores alfa-1), favorecendo o armazenamento de urina.

Onde se originam as fibras parassimpáticas que inervam a bexiga?

As fibras pré-ganglionares do sistema nervoso parassimpático que inervam a bexiga se originam no núcleo sacral da micção, localizado nos segmentos S2-S4 da medula espinhal.

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