Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Em cirurgia, o jejum é extremamente comum e habitual em todas as operações. Caso o jejum se prolongue, o organismo tentará adaptar-se diminuindo o gasto energético basal, sendo que os glóbulos vermelhos do sangue passam a utilizar a glicose de modo anaeróbico.Sobre a fisiologia de tal aspecto relacionado ao jejum, é correto afirmar que
Jejum prolongado → gliconeogênese a partir de lactato = Ciclo de Cori.
Durante o jejum prolongado, o corpo adapta seu metabolismo para conservar glicose. O ciclo de Cori é um mecanismo crucial onde o lactato produzido por tecidos como os eritrócitos (que realizam metabolismo anaeróbico) é transportado ao fígado e convertido em glicose via gliconeogênese, que então retorna à circulação.
O jejum é uma condição fisiológica comum, seja por restrição alimentar ou pré-operatório, que desencadeia uma série de adaptações metabólicas complexas no organismo. O objetivo principal é manter a homeostase da glicose para suprir tecidos glicose-dependentes, como o cérebro, e conservar as reservas proteicas. Inicialmente, o glicogênio hepático é a principal fonte de glicose, mas com o jejum prolongado, a gliconeogênese assume um papel central. A gliconeogênese é o processo de síntese de glicose a partir de precursores não-carboidratos. Um dos mecanismos cruciais é o ciclo de Cori (ou ciclo do ácido lático), que envolve a interconversão de glicose e lactato entre o fígado e outros tecidos. Tecidos como os eritrócitos (que não possuem mitocôndrias e dependem exclusivamente da glicólise anaeróbica) e músculos em atividade intensa produzem lactato. Este lactato é então transportado para o fígado, onde é convertido de volta em glicose através da gliconeogênese, que pode ser liberada na corrente sanguínea para ser utilizada por outros tecidos. Outras adaptações incluem a lipólise para fornecer ácidos graxos como fonte de energia para a maioria dos tecidos e glicerol para a gliconeogênese. O cérebro, embora primariamente glicose-dependente, adapta-se ao jejum prolongado utilizando corpos cetônicos como fonte alternativa de energia, reduzindo seu consumo de glicose. A compreensão desses mecanismos é fundamental para o manejo clínico de pacientes em jejum prolongado ou com distúrbios metabólicos.
Durante o jejum prolongado, o organismo ativa a glicogenólise hepática inicialmente e, posteriormente, a gliconeogênese, utilizando substratos como lactato, glicerol e aminoácidos para produzir glicose e manter a glicemia.
O ciclo de Cori é um processo metabólico onde o lactato, produzido pela glicólise anaeróbica em tecidos como eritrócitos e músculos, é transportado ao fígado e convertido em glicose via gliconeogênese, que então é liberada na corrente sanguínea para ser utilizada por outros tecidos. É crucial para a manutenção da glicemia durante o jejum.
Os principais substratos para a gliconeogênese durante o jejum são o lactato (via ciclo de Cori), o glicerol (derivado da lipólise) e aminoácidos glicogênicos (principalmente alanina e glutamina, derivados da degradação proteica).
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