CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2009
Com relação à fisiologia da lágrima é correto afirmar:
Glicocálix epitelial → Converte superfície hidrofóbica da córnea em hidrofílica para adesão da lágrima.
O filme lacrimal depende da interação entre a camada de mucina/glicocálix para manter a estabilidade sobre o epitélio corneano hidrofóbico.
A lágrima é essencial para a homeostase ocular, fornecendo oxigênio à córnea avascular, proteção imunológica e uma superfície óptica lisa. A camada aquosa é rica em substâncias como lisozima, lactoferrina e IgA, que possuem propriedades antibacterianas fundamentais. O entendimento da fisiologia lacrimal é a base para o tratamento das ceratoconjuntivites siccas. Quando o glicocálix ou a camada de mucina estão comprometidos (como em queimaduras químicas ou penfigoide ocular), a lágrima não consegue 'molhar' a córnea, levando a áreas de dessecação (dry spots) e ulcerações, mesmo que a produção aquosa esteja normal.
O epitélio da córnea é naturalmente hidrofóbico devido às membranas lipídicas das células. O glicocálix, composto por glicoproteínas (mucinas ligadas à membrana), atua como uma interface que confere propriedades hidrofílicas à superfície ocular. Isso permite que a camada aquosa da lágrima se espalhe uniformemente e permaneça aderida à córnea, garantindo a lubrificação e a saúde epitelial.
Tradicionalmente, o filme lacrimal é descrito em três camadas: 1) Camada Lipídica (externa), produzida pelas glândulas de Meibomius, que reduz a evaporação; 2) Camada Aquosa (intermediária), produzida pelas glândulas lacrimais, contendo eletrólitos e proteínas; 3) Camada de Mucina (interna), produzida pelas células caliciformes, que ajuda na adesão. Modelos modernos sugerem uma estrutura mais integrada de gel muco-aquoso.
A disfunção das glândulas de Meibomius (DGM) leva a uma deficiência na camada lipídica do filme lacrimal. Sem essa barreira oleosa protetora, a taxa de evaporação da camada aquosa aumenta drasticamente, resultando em 'Olho Seco Evaporativo'. Esta é a forma mais comum de síndrome do olho seco, manifestando-se com ardor, sensação de corpo estranho e hiperemia ocular.
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