CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2015
Com relação à fisiologia da drenagem lacrimal, considere: I. Efeito gravitacional e de capilaridade contribuem para a drenagem passiva do menisco lacrimal para dentro dos canalículos II. Bombas de sódio/potássio ATP-dependentes dispostas ao longo dos canalículos são responsáveis pela reabsorção parcial da lágrima drenada III. Estima-se que a contração do músculo lacrimal exerça ação peristáltica no saco lacrimal impulsionando ativamente a lágrima pela via de drenagem baixa
Drenagem lacrimal = Capilaridade + Bomba muscular (Horner/Orbicular) + Gravidade.
A excreção da lágrima é um processo dinâmico onde a contração do músculo orbicular cria variações de pressão que impulsionam o fluido dos canalículos para o ducto nasolacrimal.
O sistema de drenagem lacrimal é composto pelos pontos lacrimais, canalículos superior e inferior, canalículo comum, saco lacrimal e ducto nasolacrimal. A eficiência desse sistema garante que a superfície ocular permaneça lubrificada sem que haja transbordamento (epífora). Cerca de 70% da lágrima é drenada pelo canalículo inferior devido à gravidade e ao posicionamento anatômico. A fisiologia da drenagem é frequentemente dividida em fase passiva e ativa. A fase passiva envolve a capilaridade e a gravidade. A fase ativa, ou bomba lacrimal, é essencial. Durante o piscar, a contração da musculatura orbicular não apenas espalha o filme lacrimal sobre a córnea, mas também movimenta a lágrima para o canto medial. Patologias que afetam a dinâmica palpebral, como o ectrópio ou a paralisia do VII par craniano, resultam em epífora funcional, demonstrando que a patência anatômica (via aberta no exame de lavagem) não garante a funcionalidade fisiológica.
O mecanismo de bomba lacrimal depende da contração da porção pré-septal e pré-tarsal do músculo orbicular, incluindo o músculo de Horner (músculo lacrimal posterior). Durante o fechamento palpebral (piscar), a contração muscular comprime os canalículos e cria uma pressão negativa no saco lacrimal dilatado, 'aspirando' a lágrima. Quando as pálpebras se abrem, o músculo relaxa, o saco lacrimal colapsa e a lágrima é expelida para baixo através do ducto nasolacrimal em direção ao meato inferior do nariz. Esse ciclo de pressão positiva e negativa é o motor principal da drenagem ativa.
A capilaridade é um mecanismo físico passivo que contribui para a entrada inicial da lágrima nos pontos lacrimais e canalículos. Devido ao pequeno diâmetro dos canalículos (cerca de 0,3 mm no ponto), a tensão superficial do filme lacrimal ajuda a 'puxar' o fluido para dentro do sistema excretor, independentemente da gravidade. No entanto, a capilaridade sozinha não é suficiente para vencer a resistência de todo o trajeto até a cavidade nasal, necessitando do auxílio da bomba muscular.
Não há evidência de que bombas de sódio/potássio ATP-dependentes ao longo dos canalículos desempenhem papel significativo na reabsorção ou propulsão da lágrima drenada. O transporte de fluidos nas vias lacrimais excretoras é predominantemente mecânico e hidrodinâmico. Embora o epitélio do saco lacrimal e do ducto possa realizar alguma troca de eletrólitos e absorção de água, isso não constitui o mecanismo de 'drenagem' propriamente dito, que é governado por forças físicas e musculares.
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