Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025
No início do trabalho de parto, ocorrem por inúmeras alterações bioquímicas no colo e corpo uterino, que culminam com mudança na sua atividade e constituição. Com aumento progressivo e ritmado das contrações uterinas e o amadurecimento, apagamento e perda da integridade estrutural do colo. Sobre o período de trabalho de parto, está CORRETO afirmar:
Contrações uterinas excessivas (taquissistolia) → ↓ perfusão uteroplacentária → risco de hipoxemia e acidose fetal.
Durante o trabalho de parto, as contrações uterinas comprimem os vasos miometriais, reduzindo transitoriamente o fluxo sanguíneo para o espaço interviloso. Se as contrações forem muito frequentes ou prolongadas (taquissistolia), o tempo de relaxamento uterino é insuficiente para a reoxigenação, podendo levar ao sofrimento fetal agudo.
O trabalho de parto é um processo fisiológico complexo que envolve alterações bioquímicas e mecânicas coordenadas para permitir a expulsão do feto. A contratilidade uterina é o motor primário desse processo, sendo essencial para a dilatação e o apagamento do colo uterino, bem como para a descida da apresentação fetal. A fisiopatologia do sofrimento fetal durante o parto está intrinsecamente ligada à dinâmica das contrações. Cada contração comprime as artérias espiraladas que irrigam o espaço interviloso da placenta, interrompendo temporariamente o fluxo de sangue oxigenado para o feto. Em condições normais, o período de relaxamento entre as contrações permite a restauração da perfusão. Contudo, em situações de atividade uterina excessiva, como a taquissistolia (>5 contrações em 10 minutos), esse intervalo é encurtado, comprometendo as trocas gasosas e podendo levar à hipoxemia, hipercapnia e acidose metabólica fetal. O manejo clínico exige vigilância contínua da vitalidade fetal, classicamente realizada pela cardiotocografia. A identificação de padrões não tranquilizadores deve levar a uma intervenção rápida para corrigir a causa subjacente (ex: suspender ocitocina) e implementar medidas de ressuscitação intrauterina. A compreensão dessa fisiologia é crucial para garantir a segurança materno-fetal e tomar decisões assertivas sobre a via de parto.
Os principais sinais incluem bradicardia fetal sustentada (<110 bpm), taquicardia fetal (>160 bpm), perda da variabilidade da linha de base e, especialmente, a presença de desacelerações tardias (DIP II) ou variáveis graves, que indicam insuficiência uteroplacentária ou compressão de cordão.
A conduta inclui medidas de ressuscitação intrauterina: suspender o uso de ocitocina, posicionar a parturiente em decúbito lateral esquerdo para descomprimir a veia cava, administrar oxigênio suplementar e, se necessário, utilizar tocolíticos de curta ação para reduzir a atividade uterina.
No trabalho de parto verdadeiro, as contrações são rítmicas, progressivas em frequência e intensidade, e causam modificação cervical (apagamento e dilatação). No falso trabalho de parto (contrações de Braxton Hicks), as contrações são irregulares, não progridem e geralmente melhoram com a deambulação ou mudança de posição, sem causar alteração no colo uterino.
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